
Perfil de Marcos Vinícius de Souza Melo no Instagram, ex-secretário adjunto de Segurança Pública de São Sebastião preso na Operação Merx. (Foto: Instagram)
O policial civil Marcos Vinicius de Souza Melo foi detido sob suspeita de participar de um esquema que liberava cargas de eletrônicos mediante pagamento de propina. Ele ainda ocupava formalmente um dos principais cargos da Segurança Urbana de São Sebastião, no litoral paulista, quando a Operação Merx foi deflagrada, na sexta-feira (28/8).
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Marcos atuava como secretário adjunto de Segurança Urbana, sendo o segundo na hierarquia da pasta. Ele pediu exoneração no dia 25, três dias antes da operação conjunta do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Corregedoria da Polícia Civil.
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A coluna apurou que a portaria de exoneração é datada da terça-feira, mas só foi publicada na sexta (28/8), mesmo dia em que Marcos foi preso. A Prefeitura afirma que a saída foi solicitada por motivos pessoais e antes da operação. Em junho, o governo paulista já havia autorizado o afastamento do investigador da Polícia Civil, sem remuneração, para que ele assumisse o cargo de secretário adjunto em São Sebastião.
A defesa de Marcos não foi encontrada. O espaço permanece aberto para manifestações.
Os crimes investigados ocorreram antes de Marcos assumir o cargo na prefeitura. De acordo com o Gaeco, durante sua atuação no 2º DP de Cotia, na Grande São Paulo, ele estava envolvido em uma ocorrência onde foram apreendidos apenas 250 celulares, embora conversas indiquem que o caminhão transportava mais de 4 mil aparelhos. O "acerto" para liberar a carga teria sido de R$ 700 mil.
Após isso, Marcos foi transferido para o 1º DP de Barueri, ainda na região metropolitana. Dezesseis dias depois, outra carga foi alvo do mesmo grupo. Para o Ministério Público de São Paulo (MPSP), isso sugere "continuidade da atuação" do esquema em uma nova área.
Marcos também foi mencionado em outra investigação da Corregedoria sobre um pedido de R$ 900 mil para devolver celulares. Durante uma busca na delegacia, foram encontrados 49 aparelhos lacrados em um saco de lixo, outros seis sobre sua mesa, além de R$ 19.577 e armas de terceiros no cofre do então investigador-chefe.
O patrimônio de Marcos também chamou a atenção do Gaeco. Em março deste ano, antes de assumir a prefeitura, ele recebia R$ 8.523,77 brutos como investigador. Em seu nome constavam um Toyota Corolla e duas embarcações. Uma empresa da qual era sócio possuía ainda um Ford Cargo e um Iveco Daily.
Os promotores também localizaram uma Volkswagen Amarok 2017/2018 registrada em nome da ex-esposa, mas vinculada a um endereço associado ao policial.
Marcos fazia parte do quadro societário de cinco empresas, ligadas a atividades como transporte de cargas, administração de imóveis, segurança eletrônica e apoio administrativo. O Gaeco aponta alterações contratuais sucessivas após os fatos investigados e sugere que a movimentação societária indica risco de "dissipação e ocultação patrimonial".
Na Operação Merx, também foram presos os policiais Bruno Moreno dos Santos e José Adriano Pereira da Silva Nishi, o advogado Sidiclei da Costa Almeida e o empresário Jonathan Renan Vieira. O policial Vagner Ramalho e o empresário Thiago Marcel Magnabosco, apontado como líder do grupo, continuavam foragidos até a publicação desta reportagem.
A defesa deles não foi encontrada. O espaço segue aberto para manifestações.







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