
Homem trans em consulta médica de acompanhamento da terapia hormonal (Foto: Instagram)
Para pessoas trans, a terapia hormonal representa uma série de transformações corporais — e, no caso dos homens, essas mudanças não se limitam à voz, aos pelos ou à composição corporal. Com o uso da testosterona, a libido, a sensibilidade e as condições dos tecidos genitais também podem ser alteradas, impactando a forma como cada um vivencia o sexo e se relaciona com o próprio corpo.
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Assim, enquanto as mudanças físicas mais perceptíveis costumam ser discutidas desde o início do tratamento, questões como prazer, lubrificação, desconforto nas relações, prevenção de ISTs e acompanhamento profissional continuam envoltas em dúvidas.
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Ao Metrópoles, Eduardo Aguiar, designer de 20 anos, compartilha que compreender essas transformações foi também um processo de redescoberta. "Desde o começo do meu tratamento, tive algumas mudanças muito rápidas, tanto físicas quanto psicológicas e hormonais", relata.
Entre elas, uma das principais foi na libido, experiência que ele compara a um período anterior em que tomava antidepressivos e não sentia desejo sexual. "Quando parei com os medicamentos, minha libido foi voltando aos poucos, mas depois que comecei o tratamento, ela aumentou drasticamente", destaca.
Para Eduardo, as transformações não ocorreram somente no corpo, e a forma como passou a enxergar seu próprio prazer também mudou. Em seu relato, ele afirma que, durante a transição, precisou lidar com expectativas sobre o papel que deveria desempenhar nas relações e com pessoas que demonstravam interesse ou rejeição pelo seu corpo.
Mosiah Machado, médico da família e comunidade, explica à coluna que, especialmente entre os homens trans, o aumento no desejo é bastante comum. Além disso, conforme o especialista, é esperado ter aumento do clitóris, alterações na sensibilidade e mudanças nos tecidos vaginais.
Para Eduardo, as mudanças não se limitaram ao corpo, e a forma como passou a ver seu próprio prazer também se alterou. Em seu depoimento, ele afirma que, ao longo da transição, teve que lidar com expectativas sobre o papel que deveria desempenhar nas relações e com pessoas que demonstravam interesse ou rejeição por seu corpo.
Segundo Mosiah, no entanto, essa autonomia também deve estar acompanhada de informação sobre prevenção, incluindo o fato de que a testosterona não atua como anticoncepcional. Ou seja, mesmo que a menstruação cesse, pessoas que mantêm útero e ovários podem eventualmente engravidar. Quando há possibilidade de gestação e ela não é desejada, é necessário discutir métodos contraceptivos.
Em relação ao tema, Aguiar revela que é justamente no consultório onde encontra uma das maiores dificuldades, já que as consultas ainda são marcadas por experiências de negligência e constrangimento.
O médico ainda complementa ao lembrar que um atendimento adequado depende de abandonar pressuposições e entender que homens trans não formam um grupo com uma única experiência sexual. Em vez de presumir, o profissional deve considerar quais órgãos ele apresenta, quais cirurgias realizou, quais tipos de contato sexual pratica, se existe possibilidade de gravidez e quais regiões estiveram expostas a uma possível IST.
Por último, o jovem designer lembra que o conhecimento técnico deve vir acompanhado de acolhimento e que aprender sobre as próprias mudanças é essencial para o processo. "Acho que faltam lugares onde possamos nos sentir seguros e confortáveis para se abrir. A transição me ensinou diversas coisas e me fez conhecer novamente. Então, a cada dia eu descubro uma coisa diferente sobre mim", conclui.







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