
Professora mostra-se confiante momentos antes de entrar na sala com o pacote verde (Foto: Instagram)
A Operação Alvitre, lançada nesta semana pela Polícia Civil de Pernambuco, busca desmantelar um esquema de desvio de emendas parlamentares na Prefeitura de Ipojuca e na Câmara Municipal. A fraude é estimada em R$ 27 milhões.
++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos
Imagens exclusivas da coluna Na Mira revelam os últimos momentos de vida da professora Simone Marques da Silva, de 46 anos, antes de ser assassinada. No vídeo, Simone, vestindo camisa azul e calça branca, é vista entrando em uma sala com um grande pacote verde.
++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro
Na entrada, ela é recebida por Diego Fernandes de Oliveira Araújo, conhecido como “Diego Araçá”, então secretário especial de Juventude do município. Para os investigadores, o vídeo confirma a prática de repasse de dinheiro em espécie, resultado das fraudes. A reportagem tentou contato com o ex-secretário para ouvir sua versão, mas ele não foi localizado.
VIRADA NA INVESTIGAÇÃO
A morte de Simone Marques foi um ponto crucial na investigação. A polícia investiga a possibilidade de que a professora estivesse chantageando pessoas com a ameaça de divulgar provas de corrupção em Ipojuca.
Em outubro de 2025, poucos dias após a primeira fase da operação, Simone foi à Delegacia de Porto de Galinhas para depor. Contudo, devido a outro caso em andamento, o delegado Ney Luiz Rodrigues reagendou o depoimento para o dia seguinte. Simone foi morta a tiros poucas horas depois.
Na ocasião, o delegado Ney Luiz Rodrigues explicou que Simone foi intimada para depor, mas devido a um compromisso, não pôde comparecer e pediu que ela retornasse no dia seguinte. Nesse intervalo, ela foi assassinada. As investigações revelaram que ela também fazia parte do esquema criminoso e recebia parte dos recursos desviados, juntamente com dois advogados, uma contadora e uma funcionária fantasma.
REDE DE PROPINA
A polícia identificou uma rede de propina que envolvia repasses diretos a parlamentares e operadores, com movimentações suspeitas de R$ 16 milhões ligadas a uma funcionária fantasma no gabinete do vereador Gilmar Costa.
Documentos do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) mostram o esquema contábil utilizado para desviar recursos públicos. A Associação Cultural Social e Recreativa MUDART, sob gestão de Simone Marques, recebeu R$ 1,2 milhão entre 2017 e 2024.
Os registros financeiros mostram um aumento atípico nos repasses: de uma média de R$ 100 mil anuais entre 2017 e 2019 para R$ 518 mil em 2024.
EMENDAS PARLAMENTARES
Em 2024, R$ 480 mil foram destinados pela Secretaria Especial de Juventude, liderada por Diego Araçá, provenientes de emendas parlamentares dos vereadores Flávio Henrique do Rêgo Souza, Genival Ferreira da Silva e Gilmar Costa da Silva.
Durante inspeções, a Polícia Civil constatou a precariedade das instalações da MUDART e de outra entidade, a M. A. DA SILVA FESTAS, que recebeu R$ 480 mil. Ambas funcionavam em locais inadequados para gerenciar projetos comunitários que somaram R$ 680 mil.
O Relatório Técnico de Inteligência revelou que Diego Araçá usava sua posição para desviar recursos em outra entidade, o Centro de Promoção à Infância e ao Adolescente (CPIA), que recebeu R$ 338 mil.
PERFIL VIOLENTO
Servidor estadual desde 2017, Diego Araçá desempenhou papel central na política de Ipojuca. Atuou na Câmara Municipal e na Secretaria Especial de Juventude em duas gestões. Em 2012, candidatou-se a vereador pelo DEM, obtendo 667 votos, e tem herança política do avô, o ex-vereador José Apolinário de Oliveira, o “Bobinha”.
As investigações destacam que a família do ex-secretário tem histórico de crimes graves na região. No homicídio de Cristiane de Lima Santos, em 2003, Antônio Fernandes de Araújo, pai de Diego, foi apontado como executor, a mando de “Bobinha”, devido a um caso extraconjugal.
Antônio teve prisão decretada por coação de testemunhas e também é réu por homicídio qualificado na Paraíba.
OPERAÇÃO ALVITRE
A investigação sobre o desvio de emendas parlamentares ocorreu em três fases. A primeira, em outubro de 2025, investigou repasses a entidades sem capacidade técnica, resultando em três prisões e quatro foragidos.
A segunda fase, em novembro de 2025, prendeu em flagrante o então presidente da Câmara, Flávio do Cartório, e o vice, Professor Eduardo, com dinheiro em um supermercado, levando à perda de seus cargos.
A terceira fase, em setembro de 2026, cumpriu 13 mandados de busca em Ipojuca e outras cidades, mirando os atuais presidente e vice-presidente da Câmara, Irmão Genival e Gilmar Costa, além do bloqueio de bens.
Não houve novas prisões na terceira fase, mas a polícia e o Ministério Público continuam analisando materiais apreendidos para rastrear o destino dos R$ 27 milhões desviados.
Já leu todas as notas e reportagens da coluna hoje? Acesse a coluna do Metrópoles.







Leave a Reply