
Deputada federal Erika Hilton protocola ação no Ministério Público de São Paulo. (Foto: Instagram)
A deputada federal Erika Hilton (PSol) e a ativista de direitos humanos Sofia Favero (PSol), que concorre ao cargo de deputada estadual, apresentaram uma ação no Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra Tarcísio de Freitas (Republicanos). A ação foi motivada por uma declaração de Daniel Vorcaro sobre uma suposta propina paga através de doação à campanha do governador em 2022.
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Vorcaro, preso no escândalo do Banco Master, afirmou em uma proposta de delação premiada que a doação de R$ 5 milhões para as campanhas de Tarcísio e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – sendo R$ 2 milhões para o governador de São Paulo e R$ 3 milhões para o ex-presidente –, foi uma negociação de propina, com intermediação do presidente do PSD, Gilberto Kassab.
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Os repasses foram feitos por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também investigado na Operação Compliance Zero. Ele foi o maior doador individual para ambos. Conforme o ex-banqueiro, os recursos são “contrapartidas financeiras” resultantes de um “ajuste indevido com Gilberto Kassab para manter o Credcesta no governo Tarcísio”. As informações são do portal UOL. Tanto Tarcísio quanto o Governo de São Paulo negam as acusações.
Na ação, Erika Hilton solicita a investigação dos fatos que, segundo ela, podem indicar a prática de crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e infrações contra o sistema financeiro nacional sob a gestão estadual.
A petição também menciona um decreto de Tarcísio em 2024 que facilitaria a atuação de sociedades de crédito e financiamento no mercado de crédito consignado para funcionários públicos paulistas.
A ação ainda destaca que a PKL One Participações, responsável pelo Credcesta e vinculada ao Master, continuou operando no sistema por mais de três anos sob a gestão atual e passou por dois ciclos de recadastramento, tendo o credenciamento suspenso apenas em fevereiro de 2026 devido à divulgação de irregularidades do Banco Master.
Com base nas notícias, as autoras pedem que o Ministério Público identifique a origem econômica da doação de R$ 2 milhões feita por Fabiano Zettel; investigue os relatos da proposta de delação de Vorcaro sobre a suposta intermediação de Kassab para favorecer o Credcesta; e determine a preservação de comunicações e mensagens eletrônicas que comprovem os fatos.
O QUE DIZ O GOVERNO TARCÍSIO
Em nota, o Governo de São Paulo afirmou que repudia e nega, “de forma categórica, qualquer insinuação de irregularidade ou favorecimento envolvendo o credenciamento da PKL Credcesta para operar crédito consignado no Estado, seja por doações mencionadas, seja por relações atribuídas ao então secretário de Governo, Gilberto Kassab. A hipótese não encontra respaldo nos fatos, na cronologia dos eventos nem nas regras que disciplinam o setor”.
“A PKL Credcesta foi credenciada no sistema estadual de consignados em maio de 2022, ainda na gestão anterior, antes de Tarcísio de Freitas assumir o Governo do Estado. Não houve, portanto, na atual gestão, qualquer ato de escolha ou contratação da PKL que possa ser relacionado a esses fatos. O credenciamento foi suspenso no exato momento em que a empresa perdeu, por decisão do Banco Central, as condições para operar. A atual gestão, portanto, não credenciou a empresa, não a contratou e tampouco lhe concedeu exclusividade ou tratamento diferenciado”, afirmou.
Disse ainda que credenciamentos do tipo são um procedimento administrativo regulamentado, baseado em critérios objetivos e vinculado às normas legais e regulatórias, não se tratando de contrato com o Governo, repasse de recursos públicos e escolha do gestor sobre quais instituições podem ou não operar.
De acordo com a gestão estadual, a PKL foi credenciada em 27 de maio de 2022, na gestão anterior. A entidade credenciada é a PKL, detentora dos direitos de exploração comercial; Credcesta é a marca do produto.
Ressalta também que o credenciamento é “ato vinculado, não discricionário, o que quer dizer que, se a instituição preencher todos os requisitos objetivos estabelecidos pela Lei, o credenciamento deve ser concedido”.
“Cumpridos os requisitos legais, previstos na Lei nº 10.820/2003 e nas normas do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional, a instituição tem direito a operar, sem que o gestor da folha possa escolher, por conveniência, quem credencia ou não. Quem decide com qual banco ou financeira contratar é o próprio servidor: o contrato de consignado é entre o servidor e a instituição, não entre o Estado e a empresa”, relatou.
“Dos R$ 634 milhões movimentados em operações de consignado do Estado, a PKL responde por apenas 3,4%, participação, que já foi de 5,26% antes de sua liquidação pelo Banco Central. O maior operador do mercado paulista é o Banco do Brasil, com mais de 50% do share, seguido por Santander, Pan, Bradesco e Caixa. Não há, portanto, nenhum indício de qualquer suposto benefício”, disse também o governo.
“Assim que a PKL foi liquidada pelo Banco Central, o Estado suspendeu, em 19 de fevereiro de 2026, a celebração de novos contratos com a instituição. Os contratos já em vigor continuam sendo honrados por orientação da Procuradoria Geral do Estado (PGE), uma obrigação legal voltada a proteger o servidor que já havia contratado”, completou.







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