
DNA e circuitos cerebrais: a base genética do TOC e da síndrome de Tourette (Foto: Instagram)
Transtornos como TOC, síndrome de Tourette e autismo podem ter bases genéticas e circuitos cerebrais em comum. Um estudo internacional recente identificou 36 genes associados a essas condições, revelando semelhanças no funcionamento cerebral.
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Publicado na revista Nature Neuroscience em 1° de setembro, o estudo analisou dados de quase quatro mil pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo, transtornos de tique como a síndrome de Tourette, e casos em que ambos ocorrem juntos.
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O estudo ampliou significativamente o número de genes relacionados a esses transtornos, que anteriormente eram apenas quatro com evidências sólidas. Isso pode esclarecer por que essas condições frequentemente coexistem e como se desenvolvem ao longo da vida.
SOBREPOSIÇÃO GENÉTICA
A análise revelou que 30 dos 36 genes identificados estão presentes tanto em casos de TOC quanto em transtornos de tiques, explicando a frequência com que ambas as condições ocorrem no mesmo paciente.
Estudos anteriores já sugeriam essa ligação. Metade das pessoas com tiques apresenta sintomas obsessivo-compulsivos, enquanto até 30% dos pacientes com TOC têm histórico de tiques. Além disso, alguns genes também aparecem em outros distúrbios do neurodesenvolvimento, como autismo e esquizofrenia.
CIRCUITOS DO CÉREBRO
Os pesquisadores compararam informações genéticas com mapas cerebrais de humanos e outros animais, identificando áreas e conexões cerebrais envolvidas nesses transtornos.
Uma dessas conexões é um circuito que liga regiões responsáveis pelo pensamento, controle de impulsos e movimentos.
Outro achado foi a atuação de um tipo específico de neurônio, que age como uma “ponte” na comunicação entre diferentes partes do cérebro.
O QUE ISSO MUDA
Os pesquisadores afirmam que os genes formam redes que influenciam o funcionamento cerebral.
“Esses genes não agem de forma isolada. Eles operam em redes, o que possibilita desenvolver tratamentos que atuem em múltiplos alvos simultaneamente”, afirma o geneticista Jay Tischfield, coautor do estudo.
Em alguns casos, esses genes foram associados a um aumento significativo no risco, que pode ser dezenas de vezes maior em comparação com quem não possui essas variações.
Compreender essas conexões pode orientar novas estratégias de tratamento no futuro, com terapias dirigidas a mecanismos específicos de cada paciente.







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