
Máquina realiza escavação para conserto de adutora em rua após rompimento (Foto: Instagram)
Belo Horizonte – Nas últimas três semanas, Belo Horizonte e a Região Metropolitana enfrentaram uma série de rompimentos de tubulações, grandes vazamentos e interrupções no abastecimento. O sindicato dos trabalhadores da Copasa relata que a empresa perdeu cerca de 3 mil funcionários próprios desde 2019, associando essa redução e o aumento da terceirização à maior fragilidade nos serviços.
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Nesta terça-feira (8/9), um novo vazamento foi registrado em Contagem, na Grande BH. Desta vez, a água atingiu a BR-040, na altura da Ceasa, alcançando veículos que passavam pela rodovia.
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Um dia antes, outro grande vazamento abriu uma cratera e causou uma enxurrada no Barreiro, na capital. Este evento ocorreu menos de uma semana após outro vazamento na mesma região, que derrubou parte de um muro.
Os problemas com a Copasa se intensificaram há pelo menos 15 dias. Em 19 de agosto, o rompimento de uma adutora no bairro Nova Granada, na Região Oeste, resultou em um grande vazamento, alagando a rua e danificando um imóvel que precisou ser interditado pela Defesa Civil.
No dia seguinte, o prefeito de BH, Álvaro Damião, cobrou uma solução, destacando que moradores da Região Oeste já estavam sem abastecimento há pelo menos 12 dias. “Entendo as dificuldades da Copasa, mas não podemos ficar entendendo para sempre”, afirmou.
REDUÇÃO DO QUADRO PRÓPRIO DE TRABALHADORES
Para o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais (Sindágua-MG), a repetição de rompimentos e vazamentos merece atenção e preocupação.
“Isso precisa ser analisado juntamente com as mudanças na estrutura da Copasa, especialmente a redução do quadro próprio, a perda de profissionais experientes e a crescente terceirização de atividades que eram historicamente realizadas por empregados da companhia”, declarou Milton Costa, presidente do Sindágua-MG.
Ele afirma que esse processo ocorre desde 2019. Naquele ano, a Copasa tinha cerca de 12,5 mil trabalhadores, enquanto atualmente são aproximadamente 9,5 mil. “Essa perda significativa de mão de obra qualificada, sem a devida reposição, torna as atividades mais precárias”, disse.
Costa destaca que a situação se agravou com a transferência de profissionais qualificados das atividades de campo para as estações de tratamento de água e esgoto, e que parte do trabalho que era feito por funcionários da Copasa agora é terceirizado.
“O sindicato entende que essa política é preocupante. A empresa perde gradativamente a capacidade de executar, acompanhar, fiscalizar e planejar atividades essenciais, o que está indiretamente relacionado ao processo de privatização”, afirmou.
Para o sindicato, a privatização também impacta na redução do quadro próprio e no aumento da terceirização.
“Com a redução do quadro próprio, perde-se mão de obra qualificada e conhecimento acumulado. Quando as atividades operacionais são terceirizadas, diminui-se o controle direto sobre a execução, aumentando a vulnerabilidade da operação e dos serviços. É essa sequência que preocupa o sindicato”, afirmou.
PRIVATIZAÇÃO
A Copasa foi privatizada em junho deste ano, em uma operação na Bolsa de Valores (B3) em São Paulo, movimentando R$ 8,38 bilhões. O Estado vendeu 45% das ações da companhia: 30% foram adquiridos pelo Grupo Equatorial, tornando-se o principal acionista, e os outros 15% ficaram com investidores. O Governo de Minas manteve 5% das ações.
A reportagem entrou em contato com a Copasa e aguarda um posicionamento.
RELEMBRE
- 19/8 — Nova Granada: vazamento alaga rua, danifica imóvel e deixa 33 bairros sem água;
- 1º/9 — Buritis: moradores relatam quase duas semanas de problemas e recorrem a caminhões-pipa;
- 1º/9 — Barreiro: vazamento derruba parte de muro; escolas suspendem atividades por falta d’água;
- 2/9 — Prefeito Álvaro Damião cobra solução da Copasa, afirmando que moradores da Região Oeste enfrentavam desabastecimento há pelo menos 12 dias;
- 5/9 — Copasa conclui interligação de nova adutora para solucionar problema iniciado com o rompimento de 19 de julho e começa a retomada gradual do abastecimento;
- 7/9 — Barreiro registra novo vazamento, desta vez com cratera e enxurrada, menos de uma semana após a ocorrência anterior;
- 8/9 — Contagem: vazamento atinge a BR-040 na altura da Ceasa e água chega a atingir veículos.







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