
Crise no STF tensiona governo Lula a 25 dias do primeiro turno (Foto: Instagram)
A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) impactou diretamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta semana. Além das tensões que podem influenciar a campanha de reeleição de Lula, as recentes pesquisas de intenção de voto para a Presidência e de avaliação do governo também acenderam alertas para o líder do Planalto.
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A 25 dias do primeiro turno das eleições deste ano, a crise institucional se intensificou ainda mais na terça-feira, com a decisão do ministro André Mendonça de afastar preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, por 90 dias.
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O ministro alegou ter sido alvo de “monitoramento sistemático e ilegal” pela corporação por mais de 30 dias. Com o afastamento de Andrei, o delegado William Marcel Murad, diretor-executivo da PF, assumiu temporariamente o comando.
A decisão de Mendonça sobre Andrei ocorreu logo após o magistrado ter proferido decisões no caso Master envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, aumentando as tensões na Corte.
Por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), o governo federal solicitou, em caráter de urgência, que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, suspenda a decisão de Mendonça que afastou Andrei. O documento, assinado pelo advogado-geral Jorge Messias e outros membros da AGU, argumenta que há grave lesão à ordem pública e administrativa.
Segundo a AGU, o afastamento cautelar infringe a prerrogativa constitucional do presidente da República de nomear e exonerar cargos de direção da PF. Além disso, destaca que a descontinuidade abrupta na gestão compromete as atividades da polícia judiciária e pode causar desorganização institucional.
Aliados de Lula apontam que as últimas decisões de Mendonça têm motivações eleitorais. O ministro foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Interlocutores de Lula acreditam que o timing do ministro do STF para essa ofensiva contra Moraes e Andrei não é coincidência, considerando a proximidade das eleições.
A interpretação é que, como o caso Dark Horse, que revelou a proximidade entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro (PL) e tem Mendonça como relator, não evoluiu, o ministro tenta proteger a família Bolsonaro e favorecer Flávio na corrida eleitoral.
Moraes foi o relator dos processos da trama golpista e dos ataques de 8 de Janeiro, que resultaram na prisão de Jair Bolsonaro e aliados por atentarem contra a democracia. Portanto, o magistrado é visto como inimigo da direita bolsonarista e associado a Lula por eleitores.
Andrei, que comanda a PF desde 2023, é considerado homem de confiança de Lula e participou de várias comitivas presidenciais em viagens internacionais.
Cenário Eleitoral
Os últimos acontecimentos, que para aliados de Lula têm potencial de prejudicar sua campanha à reeleição, ocorrem em meio à preocupação com os índices de desaprovação ao governo e as intenções de voto para a Presidência.
Pesquisa da Quaest divulgada na segunda-feira (7/9) indica que 50% dos eleitores desaprovam o governo Lula, enquanto 43% aprovam. Outros 7% não souberam ou não responderam. Na pesquisa anterior, de 2 de setembro, a desaprovação era de 48%, contra 45% de aprovação, ampliando a diferença de três para sete pontos percentuais.
O levantamento também mostrou que Lula e Flávio estão empatados no segundo turno, ambos com 41% das intenções de voto. Na pesquisa anterior, Lula tinha 42% e Flávio 41%.
Os resultados aumentaram a preocupação no núcleo político de Lula e sua campanha à reeleição. Insatisfeito com os números, Lula e sua equipe avaliam estratégias para melhorar a percepção sobre o governo e sua candidatura. Ele se reuniu com a equipe de campanha na terça-feira, no Palácio da Alvorada.
Conforme reportado pelo Metrópoles na coluna de Milena Teixeira, a equipe de Lula acreditava que as pesquisas internas indicavam uma percepção mais favorável do que a mostrada pela Quaest.
Agora, a campanha precisa reagir para impactar positivamente os eleitores e evitar que novas revelações do caso Master contaminem a disputa presidencial e impeçam os planos de Lula de chefiar o Planalto pela quarta vez.
1º Turno, Segundo a Quaest
Segundo a última Quaest, Lula lidera as intenções de voto no 1º turno com 36%, seguido por Flávio Bolsonaro com 29%. Em terceiro está Augusto Cury (Avante), com 8%.
Na Quaest anterior, de 2 de setembro, Cury tinha 10% das intenções. Lula pontuou 37% e Flávio Bolsonaro 30%.
Confira os números: Lula (PT): 36%; Flávio Bolsonaro (PL): 29%; Augusto Cury (Avante): 8%; Renan Santos (Missão): 3%; Ronaldo Caiado (PSD): 3%; Romeu Zema (Novo): 2%; Pablo Marçal (PRTB): 1%; Indecisos: 9%; Branco, nulo ou não irão votar: 8%.
Os candidatos Samara Martins (UP), Edmilson Costa (PCB), Clariana Barão (DC), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO) e Wilson Grassi (Democrata) não pontuaram.







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