
Gordura visceral em destaque: a relação com a queda de testosterona (Foto: Instagram)
A queda nos níveis de testosterona é frequentemente atribuída ao envelhecimento, mas uma nova pesquisa sugere que outro fator pode ter um impacto ainda maior. A gordura acumulada na região abdominal, especialmente aquela que envolve os órgãos internos, surge como um dos principais fatores associados à diminuição deste hormônio.
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O estudo, publicado em julho no Journal of the Endocrine Society, analisou dados de quase 5 mil homens nos Estados Unidos, com idades entre 20 e 59 anos. Os resultados indicam que a presença de gordura visceral tem uma relação mais forte com baixos níveis de testosterona do que a idade, dentro dessa faixa etária.
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GORDURA ABDOMINAL NO CENTRO DA ANÁLISE
A gordura visceral está localizada nas profundezas do abdômen, ao redor de órgãos como fígado, estômago e intestinos. Este tecido possui muitos receptores de testosterona, o que o torna mais sensível às variações do hormônio. Na análise, homens com maior quantidade desse tipo de gordura apresentaram níveis mais baixos de testosterona. Quando os pesquisadores consideraram a distribuição de gordura no corpo, a idade teve menor influência na variação do hormônio.
Os autores destacam que, nesse grupo, a gordura abdominal foi o fator mais consistente associado à queda da testosterona.
LIMITAÇÕES DAS MEDIDAS TRADICIONAIS
Medidas comuns, como o índice de massa corporal (IMC) e a circunferência da cintura, nem sempre refletem com precisão a quantidade de gordura visceral. Pessoas com valores semelhantes nesses indicadores podem ter diferenças significativas na distribuição de gordura. Isso ajuda a explicar por que homens mais jovens podem ter baixa testosterona mesmo com peso considerado adequado, enquanto outros, mais velhos e com menos gordura visceral, mantêm níveis do hormônio mais estáveis.
Estudos anteriores já indicavam essa relação. Uma pesquisa com mais de 1,6 mil homens mostrou que o aumento de alguns pontos no IMC estava associado a uma queda de testosterona semelhante à observada ao longo de cerca de dez anos de envelhecimento.
POSSÍVEIS EXPLICAÇÕES E CAMINHOS
Os mecanismos por trás dessa relação ainda estão sendo investigados. Uma hipótese é que a gordura visceral favoreça a resistência à insulina, o que poderia interferir na produção hormonal. Outra possibilidade envolve processos inflamatórios que alteram o equilíbrio entre testosterona e outros hormônios. Para os autores, considerar a localização da gordura pode ajudar a orientar melhor o cuidado clínico. Estratégias focadas na redução da gordura abdominal podem impactar diretamente os níveis de testosterona, antes mesmo de recorrer a terapias hormonais.
Os pesquisadores reforçam que a queda do hormônio não depende apenas da idade e pode estar ligada a fatores modificáveis ao longo da vida.







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