Flávio Bolsonaro acusa Dino de interferência política e nega uso de verba pública em filme

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Flávio Bolsonaro em Boa Vista acusa ministro do STF de interferência política (Foto: Instagram)

O candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, acusou nesta quinta-feira (10/9) o ministro do STF, Flávio Dino, de tentar interferir no processo eleitoral após uma operação da Polícia Federal atingir pessoas ligadas à produção de "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro.

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Durante compromisso em Boa Vista (RR), Flávio negou que recursos públicos tenham financiado o filme e afirmou que a operação da PF, ordenada por Dino, possui motivação política.

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A Operação Make Up, deflagrada nesta quinta, investiga um possível esquema de desvio de emendas parlamentares. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

Entre os investigados estão o deputado federal Mario Frias, roteirista e produtor-executivo de "Dark Horse", e Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme.

Duas entidades a ela associadas, o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura, também foram alvos de buscas. Uma auditoria da CGU apontou indícios de irregularidades em R$ 2 milhões de emendas indicadas por Frias para entidades ligadas a Karina.

Os investigadores apuram se recursos foram destinados a empresas subcontratadas de forma irregular e se os serviços pagos foram efetivamente prestados. A PF também investiga se esses valores foram utilizados no financiamento do filme "Dark Horse".

A operação ocorre em um contexto de preocupação entre aliados de Flávio sobre possíveis investigações, decisões do STF ou ações da PF que possam atingir o candidato antes do primeiro turno. Pessoas próximas já relatavam temor de operações ou vazamentos relacionados ao "Dark Horse" e outras investigações.

A preocupação aumentou na quarta-feira (9/9), quando Dino mencionou a investigação sobre emendas ligadas ao filme ao ordenar o retorno de Andrei Rodrigues ao comando da PF.

Horas depois, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu essa decisão, afirmando que a permanência de Andrei seria posteriormente analisada pela presidência da Corte.

Nesta quinta, Flávio Bolsonaro associou diretamente a operação ao processo eleitoral, afirmando que há uma "tentativa de interferência" por parte de Dino.

O candidato também alegou, sem apresentar provas, que a motivação da operação da PF era "política" e estava ligada à melhora do seu desempenho nas pesquisas.

Nas últimas semanas, Flávio Bolsonaro já vinha expressando publicamente acreditar que poderia ser alvo de alguma medida durante a campanha. Em um ato no 7 de Setembro, ele afirmou que adversários tentariam dar uma "terceira facada" contra ele e seus aliados.

Dias antes, também alegou, sem provas, que Alexandre de Moraes, do STF, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, teriam conversado com Dino sobre uma ação para desgastá-lo eleitoralmente.

As investigações relacionadas ao "Dark Horse" estão divididas em frentes diferentes.

O caso sob responsabilidade de Dino investiga o possível uso irregular de dinheiro público proveniente de emendas parlamentares. Frias já havia negado ao STF que recursos destinados a entidades ligadas a Karina tenham sido enviados para qualquer produção cinematográfica.

Outro inquérito, relatado pelo ministro André Mendonça, investiga os repasses feitos pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a pedido de Flávio e busca esclarecer o destino do dinheiro.

Na quarta, Mendonça homologou a colaboração premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Ele participou das transferências para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, usado para custear gastos relacionados à produção.

Freixo afirmou à PGR que fez sete transferências ao fundo a pedido de Vorcaro. Os aportes somaram US$ 12,3 milhões. A PF apura se todo o dinheiro foi destinado ao filme e se parte dos recursos teve outra finalidade.

A busca de Flávio por recursos para financiar o longa se tornou pública em maio, com a divulgação de mensagens e áudios em que ele pedia dinheiro a Vorcaro. O candidato nega irregularidades e afirma que não era responsável pela administração dos valores.

As apurações se tornaram um ponto de preocupação para a campanha justamente quando Flávio aumentou os ataques ao STF e passou a explorar politicamente as revelações envolvendo Moraes e Vorcaro. Aliados avaliam que as críticas ao ministro também podem ajudar a mobilizar o eleitorado bolsonarista.

Em Boa Vista, Flávio Bolsonaro voltou a associar Lula ao Supremo e disse que o presidente dependeria de ministros da Corte para tentar derrotá-lo fora das urnas.

Flávio também disse acreditar que Lula não faz mais campanha e trabalha apenas com "seus amigos no Supremo pra tentar levar no tapetão".

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