
Operação Make Up investiga Nepotismo e Desvios de R$ 15 milhões (Foto: Instagram)
Um dos principais alvos da operação Make Up, realizada nesta quinta-feira (10/9), é o sobrinho do ex-deputado federal Walter Feldman, uma figura de destaque no PSDB e um dos fundadores da Rede. André Feldman e sua esposa estão sendo investigados por serem proprietários de duas das empresas que mais receberam recursos do Instituto Conhecer Brasil (ICB) com verbas públicas. Parte desse dinheiro era posteriormente transferido para outra ONG de Karina Gama, a Academia Nacional de Cultura (ANC), que atua no setor cinematográfico e na organização de eventos.
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Entre outubro de 2024 e abril de 2026, a empresa Complexsys recebeu R$ 9,9 milhões do ICB. Esta empresa, que presta serviços combinados de escritório e apoio administrativo, atualmente tem André Feldman como único sócio e era terceirizada pelo ICB para a instalação e manutenção de pontos de wi-fi em São Paulo.
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O trabalho da Complexsys incluía a “verificação e análise de equipamentos, avaliação de qualidade e instrumentação técnica, desempenho para correção e reparo técnico, e a validação do desempenho dos equipamentos” de wi-fi. Durante o mesmo período em que recebia pagamentos, a empresa transferia dinheiro para a Academia Nacional de Cultura, outra ONG de Karina Gama, produtora do projeto Dark Horse.
Entre 10 de outubro de 2025 e o final daquele ano, o ICB enviou R$ 3,060 milhões para a Complexsys. Quase metade desse valor, R$ 1,308 milhões, segundo relatório do Coaf, foi repassada para a ANC. O próprio ICB recebeu outros R$ 510 mil, mais do que o dobro dos R$ 221 mil que o sócio da empresa, André Feldman, retirou no período.
A empresa Fastfuture Tecnologias Emergentes, de Débora Gomes Feldman, esposa de André, foi contratada para realizar o “gerenciamento técnico de operações” e recebeu sete transferências que somaram R$ 5,1 milhões do ICB entre julho e dezembro de 2025, segundo decisão de Dino. No mesmo período, transferiu R$ 603 mil para a ANC, conforme o Coaf.
Outro relatório mencionado pelo ministro aponta que entre julho e novembro de 2025, houve seis transferências, totalizando R$ 4,342 milhões, com repasse de R$ 314 mil para a ANC. A última transferência, feita entre 4 de novembro e 10 de dezembro de 2025, foi de aproximadamente R$ 800 mil, e nesse mesmo período, houve um pagamento de R$ 290 mil para a ONG de Karina Gama.
Além disso, a Fastfuture pagou R$ 635 mil em um único PIX, em 5 de setembro de 2025, para a empresa Distribuidora de Produtos LMS. No mesmo dia, essa empresa transferiu R$ 300 mil para a ANC.
“As movimentações narradas apresentam fortes indícios de retorno dos recursos públicos pagos ao ICB para a esfera de disponibilidade dos próprios responsáveis pela OSC (Organização da Sociedade Civil), com potencial caracterização de desvio e contornos de lavagem de dinheiro”, escreveu o ministro Flávio Dino.
HISTÓRICO DE RELAÇÃO COM KARINA GAMA
Em junho, após uma operação da Polícia Civil que mirou a Complexys, o Metrópoles revelou que, de acordo com o inquérito do DPPC, a ONG incluiu em sua prestação de contas uma nota fiscal de R$ 2 milhões emitida pela Complexsys, em fevereiro de 2026, mas que acabou sendo cancelada pela própria empresa meses depois.
Um relatório de investigação levanta a suspeita de que “o documento teria sido fraudulentamente utilizado pelo Instituto Conhecer Brasil para justificar o emprego de verbas públicas”.
Além disso, a Complexys aparece envolvida em outros contratos com recursos públicos, a partir de outros dois ex-sócios da empresa. Os repórteres Artur Rodrigues e Vinicius Passarelli revelaram em junho que o ICB gastou cerca de R$ 445 mil para contratar a empresa de Eduardo Ferreira Franco, que é conselheiro técnico-científico do ICB e ex-sócio da Complexys. A empresa dele recebeu cerca de 60% dos recursos destinados ao projeto Rumos da Inovação na Educação do Futuro Agora (Riefa).
Outro ex-sócio da Complexys, Rodrigo Raveli, se tornou gerente de eventos da São Paulo Turismo (SPTuris), que passou a bancar eventos organizados por Karina Gama, como o Connect Faith – esse “apoio” agora é investigado pelo Ministério Público de São Paulo – e um show do cantor Conrado.
Após Rodrigo assumir a gerência da SPTuris, a área comandada por ele fechou mais de R$ 9 milhões em contratos com empresas de Eduardo Franco, seu ex-sócio. Rodrigo foi afastado após as denúncias. Nem ele nem Franco são investigados pela PF – este é citado como sendo sócio da empresa no período em que a Complexsys foi contratada pelo gabinete de Mário Frias.
A coluna não conseguiu contato com a defesa de André Feldman. Walter Feldman não quis comentar.







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