
Destroços em chamas do avião da Voepass após acidente em Vinhedo (SP) (Foto: Instagram)
Um ex-piloto da Voepass relatou à Polícia Federal que a empresa pressionava seus comandantes a não registrar falhas técnicas no Livro de Bordo. A intenção era evitar que as aeronaves ficassem fora de operação, permitindo que os voos vendidos pela Latam fossem realizados nos horários programados. Este depoimento integra a investigação sobre o acidente aéreo em Vinhedo (SP), ocorrido em agosto de 2024, que resultou na morte de 62 pessoas. O inquérito, concluído no último dia 6, indiciou 16 pessoas.
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O piloto Luiz Almeida afirmou que a Latam exercia pressão sobre a chefia da Voepass, que por sua vez pressionava os pilotos. O objetivo era evitar que os aviões ficassem parados para ajustes, o que geraria custos para a Latam devido a atrasos e cancelamentos de voos.
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O depoimento, mantido em sigilo até então, foi colhido em julho do ano anterior e serviu como uma das evidências no relatório final da PF, que identificou os possíveis responsáveis pela tragédia. Embora a Latam não seja mencionada no relatório, a pressão exercida por ela é detalhada nos anexos dos depoimentos.
A Voepass tinha uma dependência comercial significativa em relação à Latam, que foi intensificada com um novo contrato assinado em 17 de junho de 2024. Este acordo ampliava a influência da Latam sobre a Voepass, que em agosto daquele ano já obtinha 93% de seu faturamento da parceria.
O piloto não recebeu ordens diretas da Latam para omitir falhas, mas descreveu uma cadeia de pressão. A Latam cobrava da Voepass a realização dos voos conforme programado, e a chefia da Voepass, por sua vez, pressionava os pilotos a não registrar problemas que pudessem interromper as operações.
A investigação revelou que os pilotos eram instruídos a buscar alternativas para completar voos sem registrar imediatamente falhas no TLB (Technical LogBook). O piloto citou exemplos de aeronaves operando com pneus carecas e aquecimento do tubo pitot inoperante sem registro formal.
O piloto mencionou que a pressão interna estava ligada à Latam, que exigia que os voos fossem realizados pontualmente para não afetar as conexões e evitar custos adicionais com hospedagem e alimentação para os passageiros.
Ele identificou Raphael Limongi de Figueiredo e Rafael Gimenez Rodrigues, chefes da Voepass, como os que pressionavam os pilotos. Ambos foram indiciados pela PF, e o piloto afirmou que registros telefônicos poderiam comprovar as ligações feitas aos comandantes para evitar registros de falhas.
A pressão ocorreu em um momento em que a parceria entre Latam e Voepass, existente desde 2014, foi ampliada. Em junho de 2024, a parceria foi transformada, permitindo que a Latam fornecesse assistência técnica e outras atividades para reduzir custos da Voepass. A expectativa era que a parceria gerasse R$ 6,5 bilhões em receitas em nove anos.







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