Cúpula dos Brics na Índia pode não ter declaração final devido a tensões no Irã

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Bandeiras dos atuais membros e novos integrantes dos Brics alinhadas no local da cúpula na Índia (Foto: Instagram)

A cúpula anual dos Brics, que está ocorrendo na Índia, começou no sábado (12/9) sob um clima de tensão devido aos conflitos no Oriente Médio, afetando diretamente o grupo. Há incertezas sobre se o fórum conseguirá produzir uma declaração conjunta, simbolizando a unidade dos países-membros.

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Este ano, a reunião de líderes está marcada por tensões entre dois membros plenos do bloco: Irã e Emirados Árabes Unidos.

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O cenário atual foi desencadeado pela guerra entre Estados Unidos e Irã, iniciada em fevereiro. Com ataques em território iraniano, Teerã retaliou bombardeando instalações americanas no Golfo Pérsico, incluindo os Emirados Árabes Unidos. Essa escalada militar levou o governo emiradense a suspender o comércio com Teerã indefinidamente.

A tensão dentro dos Brics tornou-se pública em maio, durante uma reunião preparatória dos chanceleres dos países membros. Na ocasião, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, tentou evitar discussões sobre o conflito para preservar a unidade do grupo. No entanto, Khalifa Shaheen Al Marar, representante dos Emirados Árabes Unidos, insistiu em abordar o tema.

Os Emirados Árabes foram acusados de apoiar os Estados Unidos e Israel no conflito, enquanto o Irã foi acusado de realizar atentados terroristas em território emiradense. A cúpula de chanceleres terminou sem uma declaração conjunta, devido a desentendimentos sobre a guerra na Faixa de Gaza e o bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz.

Analistas apontam que o racha atual nos Brics pode ser atribuído às expansões recentes do grupo, que incluíram países com rivalidades regionais. Desde 2023, Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia se tornaram membros plenos. A Arábia Saudita foi convidada, mas ainda não formalizou sua entrada.

Outros dez países são membros parceiros, com menor poder de decisão: Bolívia, Belarus, Cuba, Uzbequistão, Malásia, Cazaquistão, Uganda, Tailândia, Nigéria e Vietnã.

“Esta cúpula é, simultaneamente, um desafio e uma oportunidade”, afirma Paulo Cesar Rebello, doutor em Política Comparada. “Os líderes podem tentar resolver divergências regionais para que o bloco se posicione em temas globais. No entanto, a guerra entre Estados Unidos e Irã pode complicar a emissão de uma declaração conjunta final.”

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