
Ponto de Wi-Fi Livre SP instalado pela Prefeitura de São Paulo (Foto: Instagram)
Faturas sem respaldo fiscal, notas fiscais canceladas e indícios de que o Instituto Conhecer Brasil (ICB) emitiu notas para si próprio, caracterizando um "autofaturamento", foram algumas das justificativas apresentadas pela Polícia Civil de São Paulo para solicitar à Justiça a execução de mandados de busca e apreensão contra a produtora do filme Dark Horse, em junho deste ano.
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Os detalhes da investigação policial sobre o contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB, empresa ligada à produtora do filme Dark Horse, Karina da Gama, vieram a público neste domingo (13/9), após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo do material.
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A suspeita da polícia é que parte dos recursos tenha sido desviada para financiar a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
As informações divulgadas neste domingo indicam que reportagens publicadas por veículos de comunicação auxiliaram no inquérito policial instaurado para investigar o contrato do ICB com a prefeitura para a instalação de pontos de Wi-Fi nos bairros de São Paulo.
Ao solicitar à Justiça a autorização para executar mandados em endereços ligados a Karina da Gama e às empresas subcontratadas por ela, o delegado Antônio Carlos Munuera Silveira, da Divisão de Investigações Sobre Crimes Contra a Administração (DICCA), citou, por exemplo, uma reportagem que mostrou que o ICB usou notas emitidas por ele mesmo na prestação de contas à prefeitura de São Paulo.
“As apurações da mídia constataram a existência de ao menos três notas fiscais emitidas pelo próprio Instituto Conhecer Brasil contra si mesmo, totalizando mais de R$ 1.400.000,00”, afirmou o delegado.
As notas autofaturadas foram questionadas por um parecer técnico da prefeitura que analisou os documentos, mas o contrato com o ICB permaneceu ativo.
O delegado do caso também informou à Justiça que o instituto de Karina da Gama apresentou à gestão Nunes quatro faturas da empresa Make One Tecnologia Digital no valor total de R$ 8,5 milhões, sem apresentar notas fiscais que comprovassem o pagamento das faturas.
Os boletos tinham numeração sequencial e foram emitidos no mesmo dia, o que indicaria, segundo a polícia, “uma montagem documental artificial para encobrir saídas ilegíveis de caixa”.
Notas fiscais canceladas das empresas JR Feijão Ltda e Complexys Soluções Integradas Ltda, e a subcontratação da empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda, atualmente Urban Connect Serviços e Tecnologia Ltda, foram outros indícios de inconsistências financeiras e documentais citadas pelo delegado à Justiça.
Os argumentos foram aceitos pela Justiça, que autorizou o cumprimento dos mandados de busca e apreensão no primeiro semestre deste ano. No primeiro dia de junho, policiais foram a diversos endereços buscar informações sobre o caso.
Conforme reportado pelo Metrópoles, no endereço ligado à Complexys, a polícia descobriu que a empresa subcontratada pelo ICB opera em uma pequena sala comercial na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, dividindo espaço com uma clínica de fisioterapia e acupuntura. No local havia uma maca para atendimentos de pacientes.
Nesse mesmo dia, a polícia de São Paulo teve acesso ao celular de Karina da Gama. A produtora, no entanto, não forneceu a senha do aparelho aos policiais.







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