Flávio Bolsonaro modera discurso ao mercado e intensifica ataques ao STF nas ruas

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Flávio Bolsonaro faz discurso inflamado na Avenida Paulista contra o STF (Foto: Instagram)

Em menos de duas semanas, Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL-RJ, alterou seu discurso sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), dependendo do público.

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Diante de empresários e banqueiros na Faria Lima, ele evitou falar sobre o impeachment de ministros, propondo uma solução política para a crise entre os Poderes. No entanto, no 7 de Setembro, em frente a apoiadores na Avenida Paulista, ele voltou a criticar Alexandre de Moraes e a defender pautas contra o STF.

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Durante um jantar com o mercado financeiro em 27 de agosto, Flávio adotou um tom mais conciliador. Conforme reportado pelo Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha, ele evitou confrontar o Supremo, não mencionou impeachment de ministros e defendeu que a solução para os conflitos institucionais deveria ser política. Ele também destacou a importância de "virar a página, sem revanchismos".

A agenda ocorreu num momento em que o mercado começava a se reaproximar do candidato do PL. Flávio havia perdido apoio entre empresários devido às revelações sobre sua relação com Daniel Vorcaro, do Banco Master, mas voltou a ser convidado para eventos à medida que se mantinha competitivo nas pesquisas.

Na ocasião, ele também demonstrou abertura para alianças partidárias em um eventual governo, afirmando que os ministros precisariam ter tanto capacidade técnica quanto habilidade política.

STF EM CRISE
O tom adotado naquela noite precedeu uma nova crise no STF. Em 31 de agosto, Moraes e André Mendonça discutiram no gabinete deste último sobre as investigações do caso Master. Mendonça instruiu a Polícia Federal a identificar um interlocutor de Vorcaro em mensagens que mencionavam Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF. A PF apontou Moraes.

Dias depois, no 7 de Setembro, Flávio usou a crise como tema central em seu discurso na Avenida Paulista, chamando Moraes de "laranja podre" e defendendo seu impeachment. Ele afirmou: "Temos que proteger o STF de Alexandre de Moraes, aquela laranja podre não pode contaminar toda a Corte", acrescentando que Moraes "vai cair" e associando o magistrado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A ofensiva contra o Supremo precede a candidatura de Flávio e acompanha o bolsonarismo desde o governo Jair Bolsonaro (PL). No 7 de Setembro de 2021, o então presidente atacou Moraes na Avenida Paulista, ameaçando reagir às decisões do ministro. Desde então, a disputa com a Corte tem sido um tema constante nas manifestações da direita.

Em 2026, a crise entre Moraes e Mendonça deu novo impulso a essa pauta. O ato deste ano contou com um boneco inflável em homenagem a Mendonça, críticas a Moraes e pressões sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que avance processos contra ministros do Supremo. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) anunciou uma manifestação em Macapá para pressionar Alcolumbre.

Entre as pautas defendidas por Flávio e aliados estão:

  • impeachment de Alexandre de Moraes;
  • pressão sobre Alcolumbre para destravar pedidos contra ministros do STF;
  • eleição de uma bancada maior no Senado, responsável por analisar esses processos;
  • influência sobre a futura composição do Supremo por meio das indicações presidenciais.

NOVA FRENTE
O Senado tornou-se uma nova frente na campanha do PL. Flávio declarou apoio a 47 candidatos à Casa em diversos estados. Neste ano, 54 das 81 cadeiras estão em disputa, e o bolsonarismo busca ampliar sua bancada a partir de 2027. Além de decidir sobre processos de impeachment contra ministros do STF, cabe aos senadores aprovar ou rejeitar as indicações presidenciais para a Corte.

A pressão agora recai sobre Alcolumbre. Em 1º de setembro, questionado sobre a ofensiva contra Moraes, o presidente do Senado destacou que havia 109 pedidos de impeachment contra os dez ministros do Supremo, indicando resistência a avançar com eles. "A minha percepção é que tem 109 pedidos. Isso não é normal. 109 solicitações de pedido de impeachment no Congresso dos 10 ministros do Supremo", afirmou. Nunca, na história do país, um magistrado da Corte foi destituído do cargo.

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