
Ministro do Supremo Tribunal Federal durante sessão tensa sobre o caso Banco Master. (Foto: Instagram)
Associações de magistrados reagiram às declarações feitas por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) durante a tensa sessão desta terça-feira (15/9) sobre o caso Banco Master. Entidades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul criticaram especialmente as falas de Flávio Dino sobre corrupção no Judiciário, afirmando que suspeitas envolvendo indivíduos específicos não devem ser generalizadas para toda a magistratura.
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A reação surgiu após Dino afirmar, durante o julgamento, que o país vive o “momento mais corrupto da história do Poder Judiciário”. A declaração foi feita enquanto ele criticava a possibilidade de presidentes de tribunais retirarem processos de relatores, alertando para os riscos que, em sua visão, essa prática poderia criar.
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A Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC) afirmou que declarações que atribuem ao Judiciário um quadro generalizado de corrupção acabam atingindo magistrados que não têm relação com os episódios discutidos no Supremo.
A AMC defendeu que eventuais irregularidades sejam investigadas pelos órgãos competentes, mas de forma individualizada, respeitando o devido processo legal. Segundo a associação, generalizações enfraquecem a confiança nas instituições.
No Rio Grande do Sul, a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) foi ainda mais direta, repudiando as afirmações de Dino. A entidade argumentou que suspeitas precisam estar vinculadas a fatos e pessoas determinados e “não autorizam extensão indiscriminada a toda a carreira”.
A Ajuris também mencionou uma fala de Cármen Lúcia durante o julgamento, afirmando que “o Poder Judiciário existe para tranquilizar o povo”. Para a associação, o momento exige ponderação e responsabilidade institucional dos integrantes do Supremo. A entidade espera que a Corte ajude a preservar a credibilidade do Judiciário.
As manifestações das entidades ocorreram após uma das sessões mais tensas do Supremo recentemente. O plenário discutia se procedimentos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça no caso Master deveriam tramitar juntos.
O placar chegou a 4 a 3 pela manutenção dos casos separados. Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia ficaram de um lado, enquanto Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes defenderam a reunião. Dino também havia se manifestado pelo julgamento conjunto, mas pediu vista antes da conclusão e solicitou que seu voto não fosse computado no placar provisório. Assim, o julgamento foi suspenso sem definição final.
A sessão foi marcada por sucessivas discussões entre os ministros. Gilmar e Mendonça trocaram acusações, Dino criticou a condução do julgamento e, ao final, classificou a sessão como “desastrosa”. Cármen Lúcia afirmou estar consternada com a crise e pediu desculpas à população pelo ambiente criado no Supremo.







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