Rótulos “Fit” Podem Ocultar Produtos Ultraprocessados; Saiba Como Identificar

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Barra de proteína “fit”: cuidado com o ultraprocessado (Foto: Instagram)

A preocupação com uma alimentação mais saudável tem feito muitas pessoas substituírem biscoitos, sobremesas e lanches tradicionais por alternativas que parecem mais benéficas à saúde. Produtos como barrinhas de proteína, bebidas lácteas proteicas, cereais, biscoitos "fit", shakes e refeições prontas tornaram-se populares, especialmente entre aqueles que buscam praticidade sem abrir mão do cuidado com a saúde.

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No entanto, termos como "fit", "zero açúcar", "rico em fibras" ou "alto teor de proteína" não garantem que o produto seja realmente saudável. Muitas vezes, por trás de embalagens que sugerem saúde e boa forma, pode haver um alimento ultraprocessado, com composição bastante diferente dos alimentos in natura ou minimamente processados. A nutróloga Maria Beatriz Leme Monteiro, de São Paulo, alerta que focar apenas nos nutrientes destacados na embalagem pode levar a uma percepção equivocada.

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"O risco está em acreditar que, por apresentar esses apelos nutricionais, o produto pode substituir a alimentação de verdade no dia a dia do paciente", afirma.

A presença de proteínas, fibras ou vitaminas é uma característica do produto, mas não suficiente para avaliar a qualidade da alimentação. Um item pode ter alto teor de proteína e ainda ser ultraprocessado. Maria Beatriz explica que é importante prestar atenção ao conjunto da composição.

"Produtos vendidos como 'fit', mesmo com apelos como 'fit' ou 'proteico', não são naturais. Portanto, não devem predominar na alimentação, nem substituir o repertório alimentar diário e habitual do paciente", diz.

A preocupação é corroborada por uma pesquisa publicada na revista Ciência & Saúde Coletiva. Ao analisar 146 alimentos vendidos no Brasil com os termos "fit" ou "fitness", pesquisadores descobriram que 79% eram ultraprocessados. Além disso, 80% continham outras alegações ou termos que destacavam características positivas, como "rico em fibras", "sem glúten" ou "vegano".

De acordo com Maria Beatriz, os ultraprocessados são formulações industriais que podem conter açúcares, gorduras saturadas e trans, conservantes e outros aditivos. Para identificar o que está por trás do apelo "fit", o consumidor deve começar pela lista de ingredientes, além de observar a tabela nutricional e a lupa frontal da Anvisa, que sinaliza alto teor de açúcar adicionado, gordura saturada ou sódio. Algumas dicas práticas incluem:

  • Não se deixe levar apenas pela palavra "fit": o termo, por si só, não informa a qualidade nutricional do produto;
  • Leia a lista de ingredientes: observe a composição completa, especialmente quando houver muitos componentes e substâncias típicas de formulações industriais;
  • Confira a lupa frontal: o símbolo indica quando há alto teor de açúcar adicionado, gordura saturada ou sódio;
  • Desconfie de uma única alegação: "zero açúcar", "rico em fibras" ou "alto teor de proteína" descrevem características específicas e não garantem que o produto seja saudável como um todo;
  • Observe a frequência: produtos ultraprocessados não devem substituir regularmente refeições baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados.

Maria Beatriz destaca que a praticidade não precisa ser eliminada da rotina. A diferença está na frequência de consumo de produtos ultraprocessados e no espaço que ocupam na alimentação.

"Para diferenciar praticidade de substituição prejudicial, um bom critério é avaliar a frequência de uso: a praticidade está em recorrer a esses produtos de forma ocasional, como exceção em uma rotina corrida. Já a substituição prejudicial ocorre quando eles se tornam a base das refeições diárias, ocupando o espaço que deveria ser da comida de verdade", explica.

A orientação também é defendida pela nutricionista Yuri Sato, coordenadora de Nutrição da rede Care Plus. Segundo ela, alegações como "fit", "zero açúcar" ou "alto teor de proteína" não garantem que um alimento seja saudável.

Para quem precisa de opções rápidas, as profissionais sugerem alternativas como castanhas, frutas secas ou frutas com casca, ovos cozidos, alguns tipos de queijo e iogurte natural sem açúcar, desde que sejam consideradas as necessidades individuais e as condições de conservação adequadas.

A recomendação está alinhada com o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, que orienta que alimentos in natura ou minimamente processados sejam a base da alimentação e que os ultraprocessados sejam evitados.

Assim, não é necessário ver cada produto industrializado como "vilão", nem abandonar completamente opções práticas. O principal cuidado é não confundir uma alegação estampada na embalagem com a qualidade do alimento como um todo. Mais importante do que procurar a palavra "fit" é entender o que há dentro da embalagem e qual espaço aquele produto ocupa na alimentação cotidiana.

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