Estimulação cognitiva pode retardar perda de funções no Alzheimer, aponta estudo

Publicado por


Modelo anatômico de cérebro em corte sagital (Foto: Instagram)

A demência afeta milhões de pessoas ao redor do mundo e tende a aumentar nas próximas décadas. No Brasil, aproximadamente 2,7 milhões de pessoas com 60 anos ou mais convivem com essa condição, número que pode atingir 5,6 milhões até 2050. Nesse contexto, estratégias como a estimulação cognitiva são discutidas por ajudarem a manter as funções cerebrais e a autonomia no cotidiano, mesmo em indivíduos com Alzheimer.

++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos

O QUE PODE SER FEITO AO LONGO DA VIDA
Embora a idade e a genética sejam fatores imutáveis, parte do risco está associada a condições que podem ser controladas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que até 45% dos casos de demência estão ligados a fatores modificáveis, como sedentarismo, tabagismo, hipertensão, diabetes, obesidade, consumo de álcool e isolamento social.

++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro

A neuropsicóloga Martha Valeria Medina, da startup espanhola de neurorreabilitação NeuronUP, afirma que, mesmo levando um estilo de vida saudável, uma pessoa pode desenvolver Alzheimer. No entanto, isso não significa que nossos hábitos sejam irrelevantes. Podemos atuar em certos fatores para reduzir a probabilidade de declínio cognitivo.

Segundo Martha, o cuidado com a saúde cerebral deve começar antes do aparecimento dos sintomas e continuar ao longo da vida. Manter atividade física, estímulo mental e vínculos sociais é parte desse processo.

Por se tratar de uma doença que tende a piorar com o tempo, o diagnóstico precoce é crucial para retardar seu avanço. Assim, ao apresentar qualquer sintoma da doença, é essencial procurar um especialista.

Embora os sintomas sejam mais comuns em pessoas acima de 70 anos, não é raro que se manifestem em jovens por volta dos 30. Quando isso ocorre, a condição é chamada de Alzheimer precoce.

Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer pode apresentar alterações na memória e esquecer coisas simples, como onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até mesmo a estação do ano.

Desorientação, dificuldade para lembrar o endereço de casa ou o caminho, dificuldades para tomar decisões simples, como planejar o que fazer ou comer, também são sinais da doença.

Além disso, a perda de interesse em tarefas rotineiras, mudanças comportamentais (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns.

Pesquisas realizadas pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF) indicam que a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas ao desenvolvimento da doença.

O tratamento do Alzheimer envolve o uso de medicamentos para aliviar os sintomas, além de fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser contínuo ao longo da vida.

COMO A ESTIMULAÇÃO COGNITIVA ATUA
A estimulação cognitiva envolve atividades planejadas para manter ativas diferentes funções cerebrais. Não se limita apenas à memória, que é a mais afetada no Alzheimer, mas inclui atenção, linguagem, raciocínio, orientação e funções executivas.

A ideia é adaptar as atividades à pessoa e ao estágio da doença. Trabalhamos tanto as funções que começam a ser afetadas quanto aquelas que ainda estão preservadas, explica Martha.

Na prática, essas atividades ativam redes cerebrais e ajudam a manter o funcionamento por mais tempo. O objetivo não é interromper a doença, mas retardar a perda de funções e favorecer a autonomia.

QUEM PODE SE BENEFICIAR?
A estimulação cognitiva não é restrita a quem já tem diagnóstico. Manter o cérebro ativo faz parte de um estilo de vida associado à saúde cognitiva e pode ser adotado ao longo da vida. Ainda assim, o momento é importante.

Quanto antes nos anteciparmos, mais margem temos para trabalhar, afirma a especialista. Em pessoas com Alzheimer, a abordagem tende a ser mais eficaz nas fases iniciais, quando ainda há mais capacidades preservadas.

Com a progressão da doença, as atividades são ajustadas. Em fases mais avançadas, o foco passa a ser comunicação, conexão com o ambiente e bem-estar.

ATIVIDADES SIMPLES TAMBÉM ESTIMULAM O CÉREBRO
Além de programas estruturados, atividades cotidianas têm um papel importante. Conversar, cozinhar, ouvir música ou organizar fotografias envolvem memória, atenção, linguagem e tomada de decisões.

Cozinhar exige planejamento e sequenciamento. Uma conversa trabalha linguagem e memória. Olhar fotos pode estimular lembranças e favorecer a comunicação, aponta Martha.

Ela destaca que a interação social também faz parte da estimulação e contribui para o bem-estar. Por isso, a recomendação é combinar atividades planejadas com uma rotina ativa e com vínculos mantidos.

Apesar dos benefícios, a estimulação cognitiva tem limites claros. Não impede a progressão do Alzheimer nem recupera funções já comprometidas. O objetivo é trabalhar com o que a pessoa ainda conserva e ajudá-la a manter o maior nível possível de autonomia e participação no dia a dia, afirma a neuropsicóloga.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *