
Luiz Fernando Donke, diretor da L2D e TL2, durante apresentação sobre contratos hospitalares (Foto: Instagram)
Empresários que forneciam serviços a hospitais em Goiás através do Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (Imed) afirmaram estar surpresos com a rescisão de seus contratos. Isso ocorreu após o Metrópoles revelar conexões de sócios das empresas com intermediários do Primeiro Comando da Capital (PCC) e a Polícia Federal iniciar investigações.
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A reportagem descobriu que a L2D Telemedicina e a TL2 Soluções em Saúde, que tinham Thiago Telles como sócio — um empresário acusado de lavagem de dinheiro em parceria com o PCC —, e a Medic 360, sob investigação da Polícia Civil do Tocantins, deixaram ou estão prestes a deixar de prestar serviços. Não está claro se a Mediplus, que tinha Telles como presidente e está sob investigação em São Paulo e Tocantins, será substituída.
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O Imed não deu esclarecimentos sobre quais empresas foram retiradas dos hospitais ou quais foram contratadas para substituí-las. Uma das novas contratadas é uma médica investigada pela PF por suspeita de manipular um processo na saúde em benefício de familiares do deputado federal e ex-secretário de Saúde Ismael Alexandrino (PSD-GO).
O próprio Imed, a L2D e Thiago Telles são alvos de uma investigação da Polícia Federal, que já realizou buscas em endereços das empresas, dirigentes e sócios. Na operação "Instituto Amigo", o Imed e as empresas são suspeitos de cobrar por serviços não executados durante a pandemia de covid-19. Durante os esclarecimentos à PF, o Imed notificou a rescisão do contrato, relata Luiz Fernando Donke, diretor da L2D e TL2.
“A gente foi pego de surpresa mesmo na questão do rompimento do nosso contrato”, disse ele ao Metrópoles. “A gente não esperava, porque não existe nada definido, não existe nada de indiciamento, não existe nada”, diz.
Em 10 de junho, a Medic 360 Serviços Médicos — que fez um depósito em uma conta de intermediários do PCC e está sob investigação da Polícia Civil do Tocantins — anunciou aos funcionários do Hospital de Formosa que encerraria suas atividades lá. A saída estava prevista para 3 de julho, segundo comunicado. A empresa e o Imed não revelaram o verdadeiro motivo para o término da parceria.
“SERVIÇOS FORAM IMPLANTADOS”, DIZ DEFESA
A Operação da PF "Instituto Amigo" continua em curso na Justiça Federal de Goiás. Em nota, a defesa da TL2 e L2D afirmou que enviou todos os documentos à PF para provar que “os serviços contratados foram implantados, mantidos disponíveis e efetivamente prestados, inexistindo cobrança desacompanhada de contraprestação ou duplicidade entre as obrigações das empresas”.
Em nota, a Medic 360 declarou que deixou de atuar nos hospitais de Goiás terceirizados ao Imed devido a uma “avaliação interna e mercadológica”. A empresa não explica porque transferiu R$ 394 mil em 16 de outubro de 2024 para uma firma que, de acordo com a Polícia Civil de São Paulo, é intermediária da lavagem de dinheiro do PCC.
A Secretaria de Saúde de Goiás afirmou que o órgão e a Controladoria do estado “mantêm monitoramento contínuo sobre todos os contratos de gestão em vigor”. “Desde 2023 [na gestão de Ronaldo Caiado], o governo de Goiás ampliou a estrutura de fiscalização com a criação da Subsecretaria de Controle Interno e Compliance e com a atuação direta de delegado da Polícia Civil no âmbito da pasta para apuração imediata de qualquer suspeita envolvendo recursos públicos.”
Ronaldo Caiado disse à reportagem que autoridades investigativas e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) deveriam ter informado o estado de Goiás, que ele comandou, sobre o envolvimento de pessoas com eventuais vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O advogado de Telles afirma que seu cliente comprou carros de luxo e nega vínculo com o Primeiro Comando da Capital. “Determinadas associações inicialmente estabelecidas em relação ao sr. Thiago Telles foram posteriormente reavaliadas pelas próprias autoridades responsáveis pela investigação”, afirma a defesa. A Polícia Civil de São Paulo indiciou o empresário por lavagem de dinheiro após deflagrar a Operação “Falso Mercúrio”. Segundo decisão judicial e informações obtidas pelo Metrópoles, essa é a situação do caso até o momento.







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