
Bombeiros e socorristas de equipe multinacional vasculham escombros na Venezuela em busca de sobreviventes (Foto: Instagram)
Nesta quinta-feira (2), um verdadeiro milagre aconteceu na Venezuela. Hernan Gil, um vigilante de estacionamento em um centro comercial em Catia La Mar, Estado de La Guaira, foi encontrado vivo após passar oito dias sob os escombros, graças ao trabalho de socorristas de sete países.
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Conforme relatado pelo governo da presidente Delcy Rodríguez, que enfrenta críticas pela demora no início das buscas, equipes de 30 países estão na Venezuela para ajudar nas operações de resgate. No entanto, à medida que o tempo passa, as chances de encontrar mais sobreviventes nos escombros dos prédios que desabaram após os dois terremotos diminuem.
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Desde a última sexta-feira, a equipe brasileira está na Venezuela, persistindo na busca por sobreviventes, mesmo com as chances reduzidas. “Ainda temos esperança de encontrar pessoas vivas. O Brasil continuará nesse esforço por mais alguns dias, até que não detectemos mais sinais de vida”, declarou Armin Braun, chefe da missão brasileira no país.
Braun, no entanto, reconheceu que o tempo para encontrar sobreviventes está se esgotando e que os esforços devem começar a se concentrar em outras áreas.
“Há outras necessidades, como assistência à saúde, ajuda humanitária e fornecimento de água. Estamos em diálogo com a proteção civil da Venezuela para abrir novas frentes. Já realizamos, por exemplo, uma avaliação dos hospitais, pois eles precisam voltar a operar rapidamente”, afirmou. Pelo menos 38 hospitais foram afetados pelos tremores de magnitude 7,2 e 7,5.
SOBREVIVENTE NÃO RESISTE
Nesta semana, parte da equipe brasileira, composta por bombeiros de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além da Defesa Civil Nacional, trabalhou em conjunto com equipes de outros países para tentar resgatar um sobrevivente sob os escombros de um prédio de 12 andares que desabou após os terremotos.
Cães farejadores e equipamentos de detecção de sinais vitais indicaram a possível presença de alguém vivo, que estaria dentro de um carro no momento do desabamento. Porém, após mais de 35 horas de trabalho, os sinais vitais desapareceram.
“Estávamos no caminho certo, mas infelizmente faltou um pouco mais de tempo para chegarmos à vítima. Conseguimos alcançar o carro em dois pontos diferentes, mas devido à quantidade de escombros e concreto, não conseguimos a tempo”, lamentou o tenente-coronel Rafael Neves Cosendey, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.
HOSPITAL DE CAMPANHA
Além das operações de resgate, o Brasil montou um hospital de campanha para atender os moradores de La Guaira. Nesta quinta-feira, uma longa fila de venezuelanos aguardava atendimento, que também incluía pacientes que não foram feridos pelos terremotos.
“Trouxemos uma equipe médica com ortopedistas, pediatras, cirurgião, anestesista e diversos profissionais de enfermagem para oferecer o melhor atendimento aqui, não só em casos de urgência, mas também em acolhimento e distribuição de medicamentos”, explicou a comandante Marisa Baltar, diretora da Unidade Médica Expedicionária da Marinha.
Na terça-feira (30), o governo brasileiro enviou o quinto voo humanitário à Venezuela com equipamentos para expandir o hospital de campanha na cidade costeira.
No mesmo dia, o ministro da Defesa, José Múcio, visitou o país, onde se reuniu com a presidente interina Delcy Rodríguez. Após o encontro, ele afirmou que o Brasil está “à disposição” para ajudar no processo de reconstrução das casas na região afetada pelos terremotos da semana anterior.
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