
Arivaldo Pereira Sampaio, 69, e o filho Alysson participam de corrida no campus da UnB dois anos após o transplante de rim. (Foto: Instagram)
Pessoas idosas têm a possibilidade de doar órgãos em vida, desde que estejam em boas condições de saúde e sejam aprovadas em uma avaliação médica criteriosa. De acordo com as normas do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), o doador vivo deve ter capacidade jurídica, estar saudável e consentir com o procedimento, que não pode prejudicar sua própria saúde.
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Foi o caso de Arivaldo Pereira Sampaio, que aos 69 anos decidiu se candidatar para doar um rim ao filho, Alysson, que havia perdido a função do único rim e necessitava de um transplante. Apesar de não apresentar problemas de saúde evidentes, ele temia que a idade fosse um impedimento para o procedimento.
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Após confirmar a compatibilidade e passar por uma série de exames, Arivaldo foi considerado apto. A cirurgia foi realizada em 25 de setembro de 2024 e, segundo ele, poder ajudar o filho foi uma "grande graça de Deus".
A idade, por si só, não impede a doação. O nefrologista Geraldo Freitas, da Unidade de Transplantes do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB/HU Brasil), ressalta que um dos principais equívocos é pensar que pessoas mais velhas não podem doar. "Não estou dizendo que a idade não é importante, mas, isoladamente, ela não é uma contraindicação", esclarece.
Na avaliação, a equipe médica verifica a função renal, as condições cardiovasculares, a anatomia do órgão e a presença de doenças que possam aumentar os riscos. Função renal reduzida, certas condições cardíacas, alguns tipos de câncer e doenças que possam comprometer os rins, como hipertensão e diabetes, podem contraindicar a doação.
A legislação permite a doação em vida entre parentes consanguíneos até o quarto grau e cônjuges. Fora dessas situações, é necessária autorização judicial, exceto para a doação de medula óssea.
A retirada de órgãos só é realizada quando não representa comprometimento grave das funções vitais ou risco inaceitável para o doador. A avaliação é individual e pode variar conforme o órgão e as condições clínicas do candidato.
Geraldo explica que doadores mais velhos podem apresentar cicatrização e estabilização da função renal um pouco mais lentas, mas as diferenças costumam ser discretas porque apenas pessoas saudáveis são liberadas para a cirurgia.
Arivaldo relata que evitou esforços no primeiro mês e, posteriormente, começou a fazer caminhadas e exercícios de fisioterapia. Cerca de três meses depois, retomou as atividades físicas. Atualmente, ele ministra aulas de ginástica, alongamento e condicionamento físico, faz musculação e pratica caminhadas e corridas.
Mesmo após a recuperação, o acompanhamento médico deve continuar. Geraldo recomenda monitorar a função renal, a pressão arterial e a glicemia, e no caso de Arivaldo, ter cuidado com medicamentos potencialmente tóxicos para os rins e evitar anti-inflamatórios. No SUS, o acompanhamento do doador vivo de rim prevê duas avaliações no primeiro ano após a cirurgia e, posteriormente, consultas anuais.
Prestes a completar dois anos da cirurgia, Arivaldo afirma que o filho também retomou a rotina e incentiva pessoas mais velhas interessadas em doar a procurarem uma equipe especializada antes de descartarem a possibilidade por causa da idade.
A orientação é reforçada por Geraldo: cabe à avaliação médica determinar se o candidato pode doar com segurança, levando em consideração a saúde, as condições do órgão e os possíveis riscos da cirurgia e da vida após a doação.







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