Uso de IA em RH transforma processos seletivos e levanta debates éticos

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Robô interage com recrutadores durante processo de seleção automatizado (Foto: Instagram)

Nos últimos anos, a prática de enviar currículos e esperar o contato de recrutadores sofreu uma transformação significativa. Atualmente, a etapa inicial de muitos processos seletivos ocorre virtualmente, com o auxílio de algoritmos que transcrevem áudios, organizam candidaturas e classificam perfis de maneira automatizada.

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Essa mudança acelera as contratações, mas também levanta questões sobre eficiência, regulamentação e a importância do fator humano na busca por empregos.

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No Brasil, a tecnologia tem sido aplicada principalmente na automação de etapas operacionais. Fábio Salomon, headhunter e apresentador do podcast Café com Sal, destaca que o formato mais comum é a entrevista assíncrona, onde o candidato grava respostas em vídeo para perguntas pré-estabelecidas, e a IA transcreve, organiza e avalia o material com base em critérios do RH.

Salomon observa que chatbots de triagem realizam verificações objetivas, como pretensão salarial e idioma, transferindo para a máquina a gestão do volume e a padronização das perguntas.

Essa mudança metodológica propõe uma reestruturação do fluxo tradicional de contratações. Dalvelyn Menezes Kalachi, sócia do escritório Ernesto Borges Advogados, explica que a estratégia é permitir que a Inteligência Artificial assuma etapas que antes eram responsabilidade do recrutador.

No novo modelo, a decisão final é devolvida ao líder do setor que abriu a vaga. “A IA processa informações e identifica padrões, mas contratar envolve contexto, cultura e julgamento”, argumenta Dalvelyn.

O papel dos profissionais de Recursos Humanos evolui para o desenvolvimento de talentos, acompanhamento de desempenho e fortalecimento da cultura organizacional.

Apesar da agilidade, a contratação automatizada traz desafios éticos e jurídicos. O uso de filtros rígidos e ferramentas de análise facial levanta preocupações na comunidade científica e regulatória.

Salomon menciona que a plataforma americana HireVue descontinuou a análise facial em 2021 após críticas. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados permite a revisão de decisões automatizadas, enquanto o Projeto de Lei 2338/2023 classifica o recrutamento automatizado como de alto risco.

Para os candidatos, a dica é ser claro e evitar respostas decoradas. Salomon sugere preparar histórias reais da carreira para a entrevista, conectando situação, ação e resultados.

A tecnologia melhora a eficiência do mercado, mas não substitui a conexão interpessoal nas decisões finais. A IA acelera a seleção inicial, mas a escolha definitiva depende da avaliação humana de alinhamento cultural e empatia.

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