Banco Genial é investigado em operação sobre ligação com PCC

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Operação Compliance Zero mira suposta lavagem de dinheiro no Banco Genial (Foto: Instagram)

Os investigadores da terceira fase da Operação Compliance Zero, lançada na última semana, apontam que o Banco Genial permitiu operações financeiras controladas por supostos líderes do PCC após o grupo romper com a gestora Reag, liquidada pelo Banco Central (BC).

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Segundo a decisão judicial que autorizou a operação, os líderes da organização criminosa no setor de combustíveis, Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, apelidado de "Primo", teriam criado um esquema de lavagem de dinheiro para adquirir a distribuidora Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda. (Terrana) e proteger imóveis do grupo, ocultados em fundos de investimento (Los Angeles 01 e Derby 44), após romperem com a administradora Reag.

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Os investigadores afirmam que o Banco Genial "se ofereceu como estrutura financeira fraudulenta para mascarar a ocultação dos valores que financiaram a compra, bem como ocultar os seus reais proprietários e em troca seria remunerado pelos instrumentos contratuais dissimulados constituídos formalmente para financiar o negócio jurídico."

Documentos nos autos mostram que o próprio compliance do Banco Genial identificou que Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como "Mineiro", estava sendo processado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por fraude. Apesar do alerta, a operação financeira continuou.

O Banco Genial se tornou o foco da operação que investiga o uso de estruturas financeiras para ocultar dinheiro do crime organizado. Humberto Arthur Tupinambá, ex-diretor e sócio da instituição, foi alvo de mandados de busca e apreensão, por supostamente operar em favor de líderes do PCC enquanto dirigia o banco.

A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) detalha a relação de Tupinambá e seus familiares com pessoas ligadas aos líderes da facção e aponta operações financeiras realizadas pelo banco que beneficiaram o grupo criminoso.

Em um dos casos, o Banco Genial teria emprestado aos líderes do PCC dinheiro que já pertencia ao grupo criminoso. A circulação dos valores começou quando o banco assumiu a administração do fundo Radford, cujo único cotista era a Usina Itajobi, ligada à organização criminosa.

O Banco Genial teria usado o dinheiro do fundo para conceder empréstimos de mais de R$ 160 milhões, por meio de Certificados de Depósito Bancário Vinculados (CDBVs) e Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), a duas empresas de fachada criadas com capital de apenas R$ 1 mil.

Com o empréstimo, as empresas adquiriram a distribuidora de combustíveis Terrana e 100% das cotas do fundo Derby 44, que abrigava imóveis do grupo criminoso, fechando o ciclo do dinheiro.

Após a operação ser deflagrada, o Banco Genial renunciou à administração do fundo, liquidou os CDBVs e cedeu ao próprio Radford os créditos das CCBs, o que, segundo o Ministério Público, revelaria o caráter meramente dissimulatório da estrutura.

O documento também destaca a relação de Tupinambá e seus irmãos, André Tupinambá e Bruno Tupinambá, com membros da facção criminosa. Mensagens interceptadas revelaram negociações diretas entre os executivos e os operadores do esquema.

Além disso, as empresas AT Assessoria e BT Assessoria, pertencentes aos irmãos do ex-diretor do Banco Genial, receberam R$ 463 mil, cada, da Aster Petróleo, empresa do grupo criminoso.

A decisão ainda ressalta que o Genial assumiu a gestão do Radford apesar de alertas do compliance do próprio banco que identificaram que o dono da usina que alimentou o fundo tinha sido alvo de sanções por fraude da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O dono da Usina Itajobi é Antonio Carlos Freixo, o empresário conhecido como "Mineiro", delator do caso Master, suposto elo entre Daniel Vorcaro e o filme Dark Horse e alvo da operação da última quinta-feira.

Freixo comprou a usina em 2023, por meio do Grupo Entre, do qual faz parte a Entrepay, fintech liquidada pelo Banco Central (BC) em março deste ano por "descumprimento de normas regulatórias".

O QUE DIZ O BANCO GENIAL
O Banco Genial informou que todas as informações relacionadas às operações envolvendo o fundo Radford, inclusive aquelas relacionadas às empresas de fachada, que estavam em poder da instituição, foram fornecidas pelo próprio banco ao MPSP. Em relação às operações mencionadas, também foram realizadas as comunicações cabíveis ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

“No âmbito dessas operações, a Genial atuou dentro das atribuições que lhe competiam, observando os procedimentos, normas e regulamentos aplicáveis, considerando as informações disponíveis à instituição à época.

A partir do conhecimento dos fatos, a instituição adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a instauração de processo de Inspetoria interna, a revisão da governança das operações de crédito, o afastamento do então diretor dos respectivos processos decisórios e sua posterior destituição. A Genial também contou com o apoio de especialistas externos para a revisão e o aprimoramento de seus processos e controles.”

O banco também informou que, após a deflagração da Operação Carbono Oculto, renunciou à administração do fundo Radford e manteve sua postura de colaboração com as autoridades, fornecendo as informações e os documentos solicitados.

“A instituição permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos que se façam necessários.”

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