Militares Brasileiros Enfrentam Desafios em Meio a Pressões Externas e Internas

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Militares do Exército Brasileiro em formação durante cerimônia oficial (Foto: Instagram)

Em 2026, as Forças Armadas do Brasil não se alarmaram com as ameaças da esquerda, que costumam estar presentes nos antigos manuais militares. Pelo contrário, às vésperas das eleições, surgem rumores de que os militares estão preocupados com a surpreendente sabotagem da soberania nacional, ironicamente, por parte da própria direita. As declarações do presidente dos Estados Unidos contra a soberania brasileira são incentivadas, surpreendentemente, por aliados. Além disso, os militares sabem que, se a situação nos EUA piorar, nossos novos e escassos caças Grippen, blindados Guarani e o submarino S-43 não serão suficientes. Nesse contexto, os militares não têm um ‘projeto de país’ em sua agenda por várias razões. Primeiro, porque reconhecem que não é sua função propor um projeto de desenvolvimento nacional. Segundo, porque isso nunca fez parte de sua formação. Em resumo, eles entenderam que não possuem as habilidades necessárias para formular e liderar um projeto de Estado.

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Além disso, os militares aprenderam, no governo anterior, que não é hora de brincar de governar um Brasil com mais de 200 milhões de habitantes, um PIB trilionário, um vasto sistema financeiro, mineração e agronegócio de padrão global, e um ativo ambiental de importância estratégica mundial, tudo interligado por complexas redes de serviços e infraestrutura. Enquanto isso, a negligência com a pandemia de COVID-19, mudanças climáticas, desigualdade social e relações exteriores quase afundaram a “Pátria amada idolatrada”. Naturalmente, há militares capazes de contribuir com políticas públicas e gestão. E é natural que, em um grupo de 300 mil profissionais com boa qualificação técnica e administrativa, muitos busquem oportunidades no Legislativo, Judiciário, Executivo e setor privado.

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No entanto, isso é bem diferente de afirmar que existe um plano de poder latente no universo militar, ou uma visão única de país que conduza a uma solução ditatorial guiada por candidatos com intenções duvidosas. É curioso que, frequentemente, tanto críticos quanto admiradores dos militares cobrem a revelação de um suposto plano dos militares para o Brasil. Não há tal projeto na agenda militar atual. Assim como não faz sentido pensar que policiais civis ou funcionários da Embrapa tenham algum projeto de país. E vale lembrar que não estamos mais em 1889, nem em 1964, muito menos em 2022.

É verdade que as elites, o povo, a imprensa e os políticos brasileiros continuam fascinados – para o bem ou para o mal – pela ideia de uma mão amiga ou de um braço forte pronto para restabelecer ordem e progresso. Isso faz parte da cultura brasileira. Afinal, nossa República não surgiu de uma revolução iluminista. Nem mesmo nasceu como uma democracia. Pelo contrário, muitos dos nossos ‘revolucionários’ republicanos eram monarquistas e escravocratas. Até o Imperador era mais simpático à abolição (que ele proclamou) e à república (como dizia em encontros europeus) do que os republicanos que o depuseram. A democracia só chegou com o terceiro presidente (e primeiro civil) e vem resistindo até hoje entre altos e baixos. Roguemos que Nossa Senhora Aparecida inspire os militares a manter a serenidade diante dos atuais desvarios entreguistas.

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