Ex-embaixador dos EUA alerta para “erro grave” ao questionar eleições no Brasil

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Thomas Shannon alerta para erro diplomático dos EUA ao questionar eleições brasileiras sem provas (Foto: Instagram)

O ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, declarou neste sábado (3/10), na véspera do primeiro turno das eleições brasileiras, que seria um "erro diplomático e político grave" se Washington questionasse o resultado das eleições sem provas claras de fraude.

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A declaração de Shannon ocorre em meio a tensões crescentes entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), bem como às recentes manifestações nos Estados Unidos sobre o processo eleitoral brasileiro.

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"Primeiramente, o sistema eleitoral brasileiro é reconhecido internacionalmente como um dos melhores. Sua integridade, eficiência e rapidez produzem resultados eleitorais rápidos e asseguram que os votos sejam contabilizados de forma justa", afirmou Shannon.

Em seguida, o diplomata alertou sobre a possibilidade de Washington contestar o resultado das urnas. "Seria um grave erro, do ponto de vista diplomático e político, se os Estados Unidos (ou qualquer outro país) questionassem os resultados eleitorais na ausência de evidências claras de fraude", destacou.

Para Shannon, tal contestação poderia ser vista como uma interferência direta nos assuntos internos do Brasil. "Tal questionamento seria visto como uma interferência grave na política interna do Brasil, algo que não seria aceito no país e que teria consequências negativas para a relação bilateral", afirmou.

Shannon foi embaixador dos Estados Unidos no Brasil entre 2009 e 2013 e ocupou cargos de alto escalão no Departamento de Estado relacionados à América Latina. Em 2022, durante a eleição presidencial daquele ano, ele também alertou publicamente sobre os riscos de uma eventual contestação do resultado eleitoral no Brasil.

TENSÃO ENTRE BRASÍLIA E WASHINGTON
Na sexta-feira (2/10), a campanha de Lula solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que a suspensão dos serviços consulares presenciais dos Estados Unidos no Brasil fosse incluída nas investigações da Corte sobre possível interferência estrangeira nas eleições. Segundo a campanha, a decisão americana "projeta instabilidade sobre o ambiente do pleito". Os Estados Unidos anunciaram a suspensão dos atendimentos presenciais em sua embaixada, em Brasília, e nos consulados no país, alegando questões de segurança.

ABIN MONITORA RISCO DE INTERFERÊNCIA ESTRANGEIRA
No Brasil, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) alertou o governo federal e o TSE sobre o risco de interferência estrangeira nas eleições de 2026. O documento apontou uma escalada da pressão exercida por Washington sobre o Brasil. Em agosto, o próprio governo dos Estados Unidos havia declarado que respeitaria a escolha dos brasileiros nas eleições. Um alto funcionário do Departamento de Estado afirmou que Washington respeita o "povo brasileiro e qualquer governo que ele escolha livremente por meio de eleições livres e justas no Brasil".

TRUMP DIZ ACOMPANHAR ELEIÇÃO “MUITO DE PERTO”
Na sexta-feira (2/10), o presidente Donald Trump reiterou que está acompanhando a eleição brasileira "muito de perto", mas não declarou apoio público a nenhum dos candidatos. Quando questionado sobre um possível apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), Trump não mencionou o candidato e respondeu que está observando o processo eleitoral. "Estamos acompanhando toda essa situação e observando essa eleição muito de perto", disse.

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