Irã inicia funeral de Ali Khamenei com cerimônias até 9 de julho em Mashhad

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Iranianos prestam homenagem ao ex-líder supremo Ali Khamenei na Grande Mosalla de Teerã (Foto: Instagram)

O Irã inicia neste sábado (4/7) os eventos abertos ao público para uma das maiores cerimônias fúnebres de sua história. A nação persa se despede do aiatolá Ali Khamenei, antigo líder supremo do país, que foi assassinado em 28 de fevereiro durante ataques dos Estados Unidos e Israel.

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Após um adiamento de mais de quatro meses, um intervalo incomum para a tradição islâmica, o governo iraniano organizou um funeral de seis dias que inclui ritos religiosos, homenagens militares e demonstrações de força política.

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As autoridades descrevem a despedida como “o funeral do século”. Milhões são esperados nas cerimônias, que passarão por várias cidades sagradas para o islamismo xiita antes do sepultamento definitivo de Khamenei em sua cidade natal, Mashhad.

As cerimônias oficiais de despedida começaram na quinta-feira (2/7) com um evento exclusivo para autoridades iranianas, líderes religiosos e representantes de dezenas de países aliados de Teerã. Esse evento marcou a abertura do funeral de Estado do ex-líder supremo.

As homenagens públicas iniciam neste sábado (4/7), quando milhares de iranianos são esperados na Grande Mosalla de Teerã para prestar suas últimas homenagens ao aiatolá.

O complexo religioso, um dos maiores do país, foi preparado especialmente para a cerimônia, com um forte esquema de segurança e medidas para amenizar as altas temperaturas do verão iraniano, incluindo sistemas de refrigeração.

O funeral foi dividido em diferentes etapas e passará por cidades de grande importância política e religiosa para a República Islâmica.

De acordo com a programação divulgada pelas autoridades iranianas, o corpo também passará pelas cidades iraquianas de Najaf e Karbala, dois dos principais centros de peregrinação do islamismo xiita.

As homenagens nesses locais têm forte significado religioso, já que abrigam os santuários do imã Ali e do imã Hussein, figuras centrais da tradição xiita.

A última etapa ocorrerá em Mashhad, cidade onde Ali Khamenei nasceu, em 1939. O ex-líder será enterrado no complexo do Santuário do Imã Reza, um dos locais mais sagrados do islamismo xiita e destino de milhões de peregrinos todos os anos.

Pela tradição islâmica, o sepultamento geralmente ocorre poucas horas após a morte, preferencialmente em até 24 horas. No caso de Ali Khamenei, o funeral foi adiado por cerca de quatro meses devido à guerra iniciada logo após sua morte.

A ofensiva envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel tornou inviável a realização de uma cerimônia pública em meio aos confrontos e preocupações com a segurança.

O corpo do ex-líder foi mantido preservado sob refrigeração durante esse período, procedimento considerado aceitável no islamismo em situações excepcionais, como guerras, desastres naturais ou quando há impedimentos para o sepultamento imediato.

O funeral contará com uma das maiores operações de segurança já realizadas pela República Islâmica.

O governo mobilizou integrantes da Guarda Revolucionária, forças policiais e membros da milícia Basij para proteger os locais por onde passarão os cortejos e as cerimônias.

Além do efetivo reforçado, foram instaladas barreiras de concreto, áreas de acesso controlado e equipamentos de monitoramento para acompanhar a movimentação das multidões. A expectativa é de que mais de 1 milhão de pessoas participem das homenagens ao longo dos seis dias de funeral, tornando a segurança uma das principais prioridades das autoridades iranianas.

Além das principais autoridades iranianas, o funeral de Estado contará com representantes de diversos países aliados de Teerã. Segundo a imprensa internacional, delegações oficiais da Rússia, China, Iraque, Paquistão, Líbano e de outras nações participarão das cerimônias realizadas na capital iraniana.

A principal ausência nos atos públicos será a do atual líder supremo, Mojtaba Khamenei. Segundo autoridades iranianas, ele permanecerá afastado das cerimônias por motivos de segurança, devido ao risco de um possível atentado durante o funeral.

Nos últimos dias, o aiatolá Hakim Elahi, representante do líder supremo na Índia, afirmou que Israel dispõe de tecnologia capaz de rastrear a localização de Mojtaba, o que justificaria sua ausência. Desde os ataques de 28 de fevereiro, ele não fez nenhuma aparição pública confirmada, alimentando especulações sobre seu estado de saúde, embora o governo insista que ele continua exercendo normalmente suas funções.

Mais do que uma cerimônia de despedida, o funeral de Ali Khamenei é visto pelo governo iraniano como uma demonstração de unidade nacional após meses de guerra.

A mobilização também busca reforçar a legitimidade da nova liderança, transmitir uma mensagem de resistência aos Estados Unidos e a Israel e reafirmar a importância política e religiosa de Khamenei, que permaneceu por 36 anos à frente da República Islâmica e se tornou uma das figuras mais influentes do Oriente Médio nas últimas décadas.

Ali Khamenei nasceu em 1939, na cidade de Mashhad, no nordeste do Irã, e se tornou líder supremo do país em 1989, após a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini. Desde então, exerceu a mais alta autoridade política e religiosa da República Islâmica por 36 anos.

Clérigo formado nos estudos islâmicos, participou da oposição ao xá Mohammad Reza Pahlavi antes da Revolução Islâmica de 1979. Durante esse período, foi preso diversas vezes, viveu na clandestinidade e passou pelo exílio interno. Em 1981, sobreviveu a um atentado a bomba que deixou sequelas permanentes em seu braço direito.

À frente do país, consolidou amplo poder sobre a Guarda Revolucionária, o Judiciário, o Parlamento, os serviços de inteligência e os meios de comunicação estatais. Embora ocupasse um cargo religioso, suas decisões influenciaram diretamente a política interna, a economia e a estratégia militar iraniana.

Ao assumir a liderança, Khamenei afirmou ser “um modesto seminarista” e declarou que empregaria “todas as suas capacidades” para cumprir a responsabilidade de comandar a República Islâmica.

Seu governo foi marcado por sucessivas crises internas e pelo endurecimento da repressão contra manifestações populares. Organizações internacionais de direitos humanos acusaram repetidamente as forças de segurança iranianas de utilizar violência excessiva contra manifestantes. O líder, por sua vez, atribuía parte dos protestos à atuação de Estados Unidos e Israel, os acusando de incentivar a instabilidade no país.

Na política externa, manteve uma postura de confronto com o Ocidente e defendeu que o programa nuclear iraniano tinha objetivos exclusivamente pacíficos. Ainda assim, Estados Unidos e aliados acusavam Teerã de buscar capacidade para desenvolver armas nucleares, agravando as tensões diplomáticas, especialmente após a retirada americana do acordo nuclear em 2018.

Khamenei era casado com Mansoureh Khojasteh Baqerzadeh e teve seis filhos. Após a morte dele, o comando da República Islâmica passou para o segundo filho, Mojtaba Khamenei.

O funeral encerra um dos capítulos mais importantes da história da República Islâmica e marca oficialmente o início de uma nova fase sob a liderança de Mojtaba Khamenei. Ao mesmo tempo, ocorre em meio às tensões persistentes entre Teerã, Washington e Tel Aviv, tornando as cerimônias não apenas um momento de luto nacional, mas também uma demonstração de força política e religiosa diante da comunidade internacional.

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