
Políticos e influenciadores convertem seguidores em votos por meio de posts e debates online. (Foto: Instagram)
As eleições de 2026 para deputados federais evidenciaram a influência da internet e das redes sociais no processo democrático. Candidatos que se destacaram nas plataformas digitais conseguiram transformar seguidores em votações expressivas em diversos espectros políticos.
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MINAS GERAIS
Um grande exemplo do impacto da internet é Minas Gerais. Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos políticos bolsonaristas mais influentes online, recebeu mais de 3,1 milhões de votos, tornando-se o deputado mais votado da história do Brasil. Ele mais que dobrou os 1,49 milhões de votos que recebeu em 2022.
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Com mais de 22 milhões de seguidores no Instagram, a influência de Nikolas não se restringiu à sua candidatura — outros 21 candidatos apoiados por ele foram eleitos para a Câmara dos Deputados nesse domingo (4/10).
Ana Elisa (PT), de 21 anos, foi a segunda deputada federal mais votada em Minas Gerais, obtendo mais de 500 mil votos em sua primeira candidatura, destacando a relevância da internet no debate político atual.
“Se a esquerda não dominar as redes sociais, vamos perder. Digo isso desde o início”, afirmou a deputada eleita no domingo (4/10). “Agora é o momento de trazer o povo para as redes. O PT, o Lula, o Partido dos Trabalhadores já levaram o povo para as ruas. Agora é mobilizar nas redes sociais”, completou Ana Elisa.
SÃO PAULO
Lucas Pavanato (PL) passou de vereador em São Paulo para o deputado federal mais votado no maior colégio eleitoral do Brasil, com mais de 3 milhões de votos. Em 2022, ele concorreu a deputado estadual e obteve pouco mais de 30 mil votos.
Pavanato é um dos políticos com maior engajamento nas redes, com postagens no Instagram e debates em podcasts no YouTube. Ele possui mais de 5,5 milhões de seguidores no Instagram.
Outras deputadas eleitas com forte presença online foram Erika Hilton (PSol) e Eduarda Campopiano (PL). Erika, com mais de 6,2 milhões de seguidores entre Instagram e X, obteve 1,4 milhão de votos, tornando-se a mulher mais votada na história do Brasil para a Câmara dos Deputados.
Eduarda Campopiano, de 23 anos, teve 1,8 milhão de votos e foi a deputada estadual mais votada da história de São Paulo. Em 2024, ela teve 3.583 votos para vereadora de Praia Grande (SP). Eduarda possui mais de 2 milhões de seguidores no Instagram e utiliza o confronto como estratégia de engajamento, autodenominando-se “a maior inimiga das feministas de São Paulo”.
RIO DE JANEIRO
No Rio de Janeiro, Rick Azevedo, do PSol, destacou-se através das redes. Criador do projeto de lei pelo fim da escala 6×1, Rick foi o segundo deputado federal mais votado do estado.
Em 2024, Rick Azevedo foi eleito vereador do Rio com 29.364 votos. Dois anos depois, foi eleito deputado federal com 191.371 votos, ficando atrás apenas de Dr. Luizinho (PP), que teve 213 mil votos.
Outro candidato que usou a internet para impulsionar sua votação foi Elias Jabbour (PCdoB), que em sua primeira eleição obteve 103 mil votos e elegeu-se deputado federal. Ex-consultor sênior do banco dos BRICS, Jabbour ganhou projeção através de debates online, com vídeos que ultrapassaram milhões de visualizações.
Elias comentou sobre a importância da campanha na internet: “A diferença entre rede social e rua é cada vez menor. Nossa campanha se beneficiou disso com uma pauta politizada e propostas estratégicas”, disse.
PERNAMBUCO
Em Pernambuco, Jones Manoel (PSol) destacou-se com forte atuação online. Em sua primeira candidatura a um cargo federal, Jones obteve 249.077 votos, ficando atrás apenas de Pedro Campos (PSB).
Jones, com uma candidatura abertamente comunista, publicou vídeos diariamente no YouTube e participou de podcasts e debates online, além de estar presente em redes como Instagram e X.
Jones também se destacou no financiamento coletivo, mobilizando mais de 12 mil doadores, que arrecadaram R$ 639 mil para sua campanha.
AUDIÊNCIA CONVERTIDA EM VOTOS
Para Eduardo Galvão, especialista em relações governamentais e professor da Ibmec, as redes sociais tornaram-se um dos meios mais importantes para campanhas políticas, especialmente para candidaturas proporcionais.
“A rede deixou de ser apenas um espaço de divulgação, ajudando na formação de identidade política, mobilização, arrecadação e organização de comunidades em torno de um candidato”, afirmou o professor.
Galvão analisa que as redes mudaram a lógica geográfica das eleições, permitindo aos candidatos alcançar uma base maior de eleitores.
Ele avalia que, embora as redes fortaleçam o candidato individual, o sistema eleitoral ainda depende dos partidos para transformar votos em cadeiras.
“O caso de Nikolas e Pavanato mostra a capacidade das redes de ampliar a escala de uma candidatura”, disse Galvão. Nikolas já tinha uma audiência nacional consolidada antes da campanha, e a votação recorde mostrou que “a audiência pode ser convertida em votos em grande volume”.
No caso de Pavanato, Galvão analisa que a combinação de forte presença digital e investimento em comunicação online alavancou sua candidatura.
O professor também comentou que os casos de Jones Manoel e Elias Jabbour mostram que “o instrumento não pertence a um campo ideológico específico”.
“Jones Manoel construiu uma comunidade em torno de conteúdo político, histórico e econômico. Quando chegou à eleição, essa comunidade já existia e conseguiu produzir atenção, financiamento e voto”, analisou.
Ele avalia que Elias Jabbour também chegou ao período de campanha com reconhecimento construído, principalmente em debates econômicos e geopolíticos online, o que o ajudou a ter competitividade na primeira disputa eleitoral.
“Isso ajuda a explicar como alguém em uma primeira disputa pode alcançar competitividade rapidamente”, concluiu o professor.







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