
Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, principais líderes do campo conservador. (Foto: Instagram)
Caso a vitória de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais de 25 de outubro se confirme, o Brasil poderá vivenciar uma espécie de restauração dinástica em versão tropical. Isso simbolizaria o retorno da família ao poder com um toque francês.
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Em 1792, a Revolução Francesa derrubou o rei Luís XVI, que foi executado no ano seguinte. Este período foi marcado por uma luta contra os privilégios da velha aristocracia, evoluindo para o terror e a Primeira República Francesa.
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Em 1804, Napoleão Bonaparte estabeleceu o primeiro império francês, mas que não perdurou. Após dez anos e muitas guerras, ocorreu a Restauração, e Luís XVIII tornou-se rei da França.
A família Bourbon retomou o controle, embora o novo rei tenha sido obrigado a aceitar uma Constituição imposta pelo Congresso. A família permaneceu no poder até a Revolução de 1830.
No Brasil, apesar de não haver monarquia, o nome Bolsonaro pode vir a representar uma dinastia republicana. Já existem planos para além do mandato de quatro anos que Flávio ainda não conquistou.
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, já manifestou entusiasmo com a possibilidade de Jair Bolsonaro suceder o filho Flávio nas eleições de 2030.
“O Jair Bolsonaro pode ser um forte candidato daqui a quatro anos”, afirmou Costa Neto, logo após o primeiro turno das eleições. “O povo vai querer Jair Bolsonaro”.
Assim, entende-se a promessa de Flávio de não buscar a reeleição em 2030, possivelmente para atrair o apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que já é pré-candidato ao Planalto.
Contudo, o senador pode apenas manter o poder por quatro anos nas mãos da dinastia até que seu pai, após ser condenado por tentativa de golpe, possa disputar novamente.
Jair Bolsonaro dizia, no auge de seu poder, que só deixaria o Palácio do Planalto “bem lá na frente”, mirando na reeleição e talvez em uma segunda, viabilizada por uma emenda constitucional.
Isso não se concretizou. O patriarca perdeu as eleições para Luiz Inácio Lula da Silva, que já havia governado por oito anos.
Jair Bolsonaro não aceitou o resultado, tentou um golpe e foi preso. Flávio planeja libertá-lo no primeiro dia de seu possível mandato presidencial. Livre, Jair estaria pronto para integrar a equipe do filho, preparando a sucessão familiar em 2030.
O tsunami de votos em candidatos ultraconservadores no último domingo foi visto como uma vitória esmagadora da extrema direita. E foi. Mas pode ter sido também o primeiro passo para a Restauração Bolsonaro.
Teoricamente, exceto por idade ou saúde, o ex-presidente poderia concorrer em 2030 e, se vitorioso, em 2034. A menos que uma nova geração da extrema direita reivindique prioridade nas candidaturas.
Tarcísio de Freitas, por exemplo, poderia encontrar dificuldades em apoiar uma nova candidatura de Bolsonaro em quatro anos, quando concluirá seu segundo mandato como governador de São Paulo.
Até lá, senadores e deputados eleitos na onda da restauração poderão começar a moldar o país ao estilo Bolsonaro.
Programas de inclusão social, defesa do meio ambiente e estímulo à cultura podem estar em risco. E as motociatas ao estilo Mussolini e declarações a aliados no cercadinho do Alvorada podem voltar à moda.
Os tsunamis geralmente são seguidos de muita destruição.







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