
Criança concentrada na tela do smartphone sob um cobertor à noite (Foto: Instagram)
O uso prolongado de dispositivos digitais está causando fadiga ocular, ressecamento dos olhos e dores de cabeça, além de contribuir para o aumento da miopia em crianças e adolescentes.
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Conhecida como síndrome da visão de computador ou fadiga ocular digital, essa condição não é causada pela radiação da tela, mas sim pelo uso contínuo sem pausas, distância inadequada de leitura e redução significativa da frequência de piscadas.
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Ao focar em telas de celulares, computadores ou tablets, a frequência de piscadas pode cair para menos da metade do normal. Além disso, as piscadas se tornam incompletas, sem que as pálpebras se fechem totalmente.
A lubrificação dos olhos depende da distribuição uniforme das lágrimas para proteger a córnea. Sem essa renovação, o fluido evapora rapidamente, causando sintomas como ardência, vermelhidão, sensação de areia e visão embaçada temporária.
De acordo com o oftalmologista Antônio Sardinha, do Hospital de Olhos de Cuiabá, o esforço contínuo sobrecarrega os músculos responsáveis pela focalização de perto. “O problema não é a tela, mas o uso prolongado, piscando pouco e sem pausas, o que cansa o músculo do foco e resseca a superfície ocular”, explica.
A síndrome da visão de computador engloba desconfortos temporários, muitas vezes acompanhados de dores no pescoço e ombros devido à má postura. O oftalmologista Ibraim Vieira, do CBV-Hospital de Olhos, destaca que essa condição não é uma nova doença ocular, mas uma resposta ao esforço digital.
Em crianças e adolescentes, o uso excessivo de telas e a falta de exposição à luz natural aceleram o crescimento do globo ocular, aumentando o risco de miopia. Estudos mostram que a luz natural ao ar livre é um fator de proteção biológica.
Vieira ressalta a importância de atividades externas para reduzir o risco de miopia. “É essencial estimular atividades ao ar livre, além de limitar o uso de telas”, afirma.
Mitos cercam a luz azul emitida por dispositivos, mas cientistas esclarecem que ela é muito inferior à luz solar e não danifica permanentemente a retina. Não há evidências de que o uso de telas antecipe a presbiopia, um processo natural após os 40 anos.
Para prevenir desconfortos, oftalmologistas recomendam a regra 20-20-20: a cada 20 minutos, olhar para um objeto a seis metros por 20 segundos. Manter o monitor na altura dos olhos e a uma distância de um braço também ajuda. Em casos leves de ressecamento, lágrimas artificiais sem conservantes podem ser usadas, mas a consulta médica é essencial antes de qualquer uso.
Médicos alertam contra o uso de colírios com corticoides ou vasoconstritores, que podem causar hipertensão ocular, glaucoma e efeito rebote.
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