
Mulher deslocada prepara alimento em acampamento improvisado no Iêmen (Foto: Instagram)
Mais de 200 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas residências no Iêmen devido à intensificação dos conflitos no país, envolvendo o grupo Houthis e forças do governo reconhecido internacionalmente, apoiadas pela Arábia Saudita. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (7/10) pela Organização Internacional para as Migrações (OIM).
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De acordo com a agência da ONU, um total de 201.217 pessoas abandonaram suas casas desde o início dos confrontos, representando cerca de 33 mil famílias. A maior parte dos deslocados, cerca de 197.755 indivíduos, fugiu a partir de 1º de setembro.
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A província de Taiz é a mais atingida pelos deslocamentos, conforme informou a OIM. Aproximadamente 114 mil pessoas deixaram a região nos últimos dias, após o avanço dos Houthis em uma área estratégica para o acesso ao Mar Vermelho e ao Golfo de Aden.
Outras nove províncias também foram afetadas pelos conflitos: Lahj, Aden, Abryan, Al Hodeidah, Hadramawt, Shabwah, Marib, Al Maharah e Ad Dali.
"As pessoas estão fugindo para salvar suas vidas e não encontram nenhum lugar seguro para ir", afirmou Amy Pope, diretora-geral da OIM. "Elas precisam de abrigo, comida e segurança hoje. Nossas equipes estão no terreno, mas o financiamento não. Peço aos doadores que ajam agora, porque cada dia de atraso custa vidas. O Iêmen não pode se tornar uma crise esquecida. O mundo tem os meios para ajudar. Deve usá-los agora."
QUEM SÃO OS HOUTHIS?
Criado nos anos 1990, os Houthis são um movimento político-religioso composto principalmente por seguidores do zaidismo, uma das vertentes do islamismo xiita. O grupo controla partes do Iêmen desde 2014, após iniciar uma ofensiva contra o governo do país, desencadeando uma guerra civil que já dura 14 anos. Em 2015, a Arábia Saudita formou uma coalizão militar para apoiar o governo iemenita reconhecido internacionalmente, e desde então, posições dos Houthis começaram a ser bombardeadas. O cessar-fogo mediado pela ONU em 2022 foi rompido em 2026, e os Houthis expandiram seu controle no norte do Iêmen, dominando praticamente todo o acesso ao Mar Vermelho.
As hostilidades foram retomadas em julho deste ano, após os Houthis acusarem a Arábia Saudita de atacar o Aeroporto Internacional de Sanaa. O frágil cessar-fogo em vigor desde 2022, mediado pela ONU, foi encerrado.
Além de atacarem o território saudita, o grupo iniciou uma ofensiva na costa oeste do Iêmen, região que dá acesso ao Mar Vermelho e ao Estreito de Bab el-Mandeb.
No início da semana, Paquistão e Turquia prometeram enviar ajuda militar para a Arábia Saudita em resposta aos ataques dos Houthis. Os três países firmaram em agosto o Acordo de Defesa Conjunta de Meca, apelidado de "Otan islâmica".







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