
Mala com pacotes de cocaína é retirada de esteira em Guarulhos durante operação da PF (Foto: Instagram)
A inspeção rigorosa aplicada diariamente a milhares de passageiros e bagagens no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, não tem sido suficiente para barrar o tráfico internacional de drogas, especialmente a cocaína. Quadrilhas especializadas encontraram em funcionários com acesso a áreas restritas uma forma de enviar entorpecentes para fora do país.
++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos
Funcionários terceirizados que atuam no Aeroporto de Guarulhos, na região metropolitana da capital paulista, tornaram-se essenciais para esses grupos criminosos, como evidenciado em uma operação da Polícia Federal (PF) realizada na quarta-feira (7/10).
++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro
COMO FUNCIONÁRIOS ATUAM NO TRÁFICO INTERNACIONAL DE COCAÍNA
Com acesso exclusivo às áreas restritas do aeroporto, os funcionários adotam diversas estratégias para inserir bagagens com cocaína em voos comerciais, após serem cooptados por quadrilhas internacionais.
“Pode ser desde um corte na cerca perimetral, com um funcionário indo buscar essa droga para trazer para a aeronave, ou pode ocorrer uma troca de etiqueta. Também pode ser por meio de um canal de inspeção que esse funcionário consiga burlar, por exemplo, por meio do uso de latas de lixo, que são inspecionadas visualmente”, explicou o delegado Julio Cesar Baida Filho, chefe da delegacia da PF no Aeroporto de Guarulhos.
Dentro da área restrita, o funcionário cooptado é responsável por receber a bagagem com a droga e colocá-la na aeronave, pulando a fase de inspeção. Uma vez no avião, a cocaína é enviada, quase sempre, a destinos como África e Europa – o que não significa que estes sejam os endereços finais do entorpecente. Há ainda mercados consumidores na Ásia e na Austrália, por exemplo.
Quanto mais longe o destino, maior a valorização da cocaína. “Quanto mais ela avança no sentido transatlântico, maior é o valor que ela tem de revenda”, destacou o delegado.
Baida Filho lembra que a droga é produzida nos países andinos, como Bolívia, Colômbia e Peru. O Brasil é um território de passagem. A cocaína entra em território nacional através da fronteira com as nações vizinhas, e é escoada a outros continentes pelos portos marítimos e também pelos aeroportos. O aeródromo de Guarulhos, no caso, é o de maior relevância local.
“O aeroporto de Guarulhos, sendo de longe o maior aeroporto do Brasil, com quase 60 destinos internacionais, acaba sendo o mais utilizado para conseguir viabilizar esse tráfego”, apontou o delegado.
O Primeiro Comando da Capital (PCC) é o principal coordenador desse trânsito seguido pela cocaína, da fronteira terrestre à fronteira marítima, mas nem todo grupo criminoso que segue o mesmo trajeto tem, necessariamente, ligação com a facção.
OPERAÇÃO ELENCO E CROSS TARGETS
Um desses esquemas de tráfico de cocaína por meio de voos comerciais foi alvo de uma operação da PF nessa quarta-feira (7/10). A Operação Elenco e Cross Targets buscou cumprir, com o apoio da Polícia Militar (PM), 21 mandados de prisão temporária e de 29 de busca e apreensão, expedidos pela 1ª e pela 4ª Varas Criminais Federais de Guarulhos.
Até o início da tarde dessa quarta, todos os mandados de busca e apreensão haviam sido cumpridos, e 12 dos 21 alvos de prisão também já haviam sido detidos. Desses 12, nove são funcionários de empresas terceirizadas ligadas ao aeroporto.
A ação é resultado de uma investigação conduzida pela PF que identificou ao menos seis remessas saídas do Aeroporto de Guarulhos com destino à Joanesburgo, na África do Sul, em um intervalo de três meses. A corporação não detalhou o volume de cocaína enviado, mas o delegado explicou que a quantidade acaba sendo a capacidade máxima de uma mala de transportar.
“Então, você tem tanto remessas de 25, 30 quilos por mala, quanto aquela droga que por vezes é transportada por passageiro”, disse, se referindo às mulas.
Em 31 de julho, a PF interceptou uma quadrilha de criminosos que tentou acessar a área restrita do aeroporto com 400 kg de cocaína. Um tratorista terceirizado foi cooptado pelo grupo e acabou preso.
COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
Baida Filho destacou que muitos dos resultados da PF no combate ao tráfico transnacional de drogas se devem à cooperação internacional entre forças de segurança.
“A Polícia Federal trabalha em estrito contato com polícias de outros países. Por vezes, quando a droga não é apreendida aqui, ou pode haver uma ação controlada, ou dando tempo da ação ser realizada aqui, a gente está sempre conversando com as polícias de outros países, tanto em troca de inteligência, quanto por meio dos acordos em matéria penal para troca de informações, instrumentalização das investigações dos dois lados do Atlântico”, explicou.
Um exemplo é a Operação Oversea, deflagrada pela PF em 2014 com o objetivo de desarticular um esquema transnacional que enviava cocaína do Porto de Santos para a Europa, Cuba e África.
O trabalho de inteligência compartilhada resultou na apreensão de 3,4 toneladas da droga em território nacional e no exterior, e levou a outras operações como desdobramento.
Sobre a Operação Elenco e Cross Targets, a GRU Airport, concessionária que administra o Aeroporto Internacional, informou, em nota, que “colabora integralmente com as investigações, disponibilizando imagens de monitoramento e provendo a infraestrutura necessária para a atuação das autoridades de segurança pública”.







Leave a Reply