
Homem usando coleira fetichista em ambiente BDSM (Foto: Instagram)
Cercado por estereótipos e crenças distorcidas por filmes como Cinquenta Tons de Cinza, o BDSM é um universo complexo. Suas práticas consensuais envolvem dinâmicas baseadas em confiança, comunicação e acordos francos entre adultos. A sigla — que significa bondage, disciplina, sadismo e masoquismo — reúne uma infinidade de vertentes e tem ganhado cada vez mais espaço em debates sobre sexualidade livre.
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Por ser um meio com muitos nichos e possibilidades, é natural que quem está de fora sinta curiosidade sobre seu funcionamento. Pensando nisso, a coluna Pouca Vergonha decidiu conversar com Heitor Werneck, produtor cultural e especialista no tema, para desmistificar os preconceitos e mostrar que a prática vai além das algemas e dos chicotes.
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Heitor Werneck, com mais de 20 anos de experiência em festas BDSM, comenta que ainda existe muito preconceito e vergonha. Ele explica que o fetiche é vivido em uma sociedade cheia de preocupações sobre o que os outros vão pensar. Por exemplo, muitas pessoas gostam de práticas como golden shower, mas têm vergonha de admitir.
O ambiente BDSM é regido pelo princípio SSC, que significa São, Seguro e Consensual. Isso implica que nada é feito sem o consentimento do outro; tudo é combinado previamente. Existem as red flags e palavras de segurança, que são combinadas para sinalizar o fim das práticas quando alguém chega ao seu limite — e devem ser sempre respeitadas por todos.
Nas festas BDSM, até mesmo relações de submissão, em que uma pessoa se dedica à outra como "dono", são baseadas em contratos com regras claras. No fetiche, há responsabilidade pelo corpo e pela mente do outro. Existe também o aftercare: após uma sessão, é necessário cuidar da pessoa tanto mental quanto fisicamente.
Um mito comum sobre o BDSM é a ideia de relações 24/7, que são vistas como algo estranho por quem está de fora. No entanto, para os praticantes, é um tipo de relacionamento bonito e íntegro, onde os parceiros vivem seus fetiches e práticas juntos, o tempo todo, com muito respeito envolvido.
Ao longo de 20 anos, Heitor Werneck teve apenas três episódios de desrespeito às regras em suas festas. A regra número um é a proibição de drogas e a não permanência de pessoas alcoolizadas no local. Em caso de desrespeito, a pessoa é convidada a se retirar, pois não se pode confiar o corpo a alguém que não está em pleno domínio de si.
Quando as pessoas descobrem que Heitor participa desse universo, uma das perguntas mais frequentes é sobre o que vestir. Ele explica que não é necessário usar roupas de fetiche; uma roupa preta e um sapato bonito são suficientes. Não se trata de uma bacanal, mas sim de uma festa de fetiche — uma experiência única.
O BDSM retratado em filmes e séries muitas vezes é associado a terror ou comportamentos de serial killers, o que contribui para o preconceito. A prática, na verdade, envolve consenso, respeito e acordos entre os participantes.
Heitor Werneck, como autista, também destaca a inclusão de PCDs, pessoas negras e mais velhas no universo do fetiche. Ele se orgulha de ter levado a Ala Fetichista para a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, promovendo a inclusão de diversas identidades e corpos no fetiche.
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