
Cansaço político: consumo excessivo de notícias nas eleições (Foto: Instagram)
O período eleitoral frequentemente intensifica a exposição a debates, conflitos e opiniões divergentes. Discussões entre familiares e amigos, excesso de informações e polarização podem tornar o cotidiano mais cansativo. Para aqueles que pertencem a grupos que já enfrentam discriminação ou violência, esse período pode gerar uma preocupação ainda maior.
++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos
Pessoas LGBTQIA+, mulheres negras, indígenas, pessoas com deficiência, minorias religiosas e indivíduos em situação de vulnerabilidade socioeconômica podem acompanhar o período com receio de que mudanças políticas afetem seus direitos, segurança ou condições de vida. Nesses casos, a eleição deixa de ser apenas uma escolha política.
++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro
A psicóloga Flávia Marsola, do Hospital Brasília, em Águas Claras, explica que quando temas como direitos, identidade, segurança ou pertencimento estão constantemente em discussão, algumas pessoas podem sentir-se ameaçadas e entrar em um estado de hipervigilância.
Segundo ela, esse estado mantém a pessoa atenta ao que pode acontecer. Consequentemente, podem surgir ansiedade, irritabilidade, tensão e dificuldade para se desligar das notícias.
A psicóloga Danielle Ferreira, do Instituto Caminhar, em Brasília, comenta que a preocupação com uma eleição é normal. O sinal de alerta aparece quando essa preocupação se torna constante e interfere na rotina.
Danielle observa que esse tema tem aparecido em processos terapêuticos, especialmente entre pessoas que temem que mudanças políticas possam resultar em perda ou restrição de direitos básicos, proteção social ou segurança.
Nesses casos, o resultado da eleição pode ser visto como algo que trará consequências concretas à vida da pessoa. Essa percepção de ameaça pode intensificar a ansiedade e o sofrimento psicológico.
QUANDO AS REDES SOCIAIS AUMENTAM O DESGASTE
Seguir notícias e debates políticos não é um problema por si só. A dificuldade surge quando o consumo de informações se torna compulsivo.
A pessoa pode acordar e já buscar informações, seguir pesquisas ao longo do dia, verificar redes sociais repetidamente e sentir necessidade de responder a cada nova discussão. Esse comportamento mantém o cérebro em alerta por longos períodos.
Danielle explica que as redes sociais podem expor repetidamente a conteúdos emocionalmente intensos, como medo e indignação. Quando isso ocorre por muitas horas, pode aumentar a irritabilidade, ansiedade e dificuldade de concentração, além de afetar o sono.
As discussões também podem ultrapassar as redes sociais e chegar às relações pessoais. Conflitos políticos entre familiares, amigos e parceiros podem aumentar o desgaste quando toda divergência é vista como uma ameaça pessoal.
QUANDO É HORA DE BUSCAR AJUDA
Sentir preocupação, medo, irritação ou ansiedade durante uma disputa política intensa não indica necessariamente um problema de saúde mental. A situação merece atenção quando essas emoções causam sofrimento significativo ou prejudicam a rotina.
Flávia aponta sinais como alterações persistentes no sono ou apetite, crises de ansiedade, irritabilidade intensa, dificuldade de concentração, queda no rendimento no trabalho ou estudos, isolamento social e conflitos frequentes. Também é importante observar se a pessoa sente uma ameaça constante ou não consegue parar de pensar nas eleições.
Se esses sintomas forem intensos, persistentes ou interferirem na rotina, nos relacionamentos ou na capacidade de cuidar de si, é importante buscar avaliação de um profissional de saúde mental.
COMO ACOMPANHAR A ELEIÇÃO SEM SE DESGASTAR
Uma estratégia é estabelecer limites para o tempo dedicado às notícias e escolher fontes confiáveis, em vez de permanecer conectado o dia todo.
Flávia também sugere avaliar quais discussões acrescentam informações e quais apenas aumentam o desgaste. Nem todo comentário precisa de resposta e nem toda provocação exige participação.
Manter atividades da rotina ajuda a preservar espaços além da política, como sono, alimentação, atividade física, trabalho, lazer, vínculos afetivos e descanso.
É possível continuar presente no debate sem estar emocionalmente disponível 24 horas por dia, destaca Flávia.







Leave a Reply