
Talita Libório segura suas medalhas após condenação por injúria racial (Foto: Instagram)
São Paulo — O instrutor de judô Renan Augusto Furtado Rossi foi sentenciado a 1 ano e 9 meses de reclusão por injúria racial contra uma atleta durante os Jogos Abertos do Interior em 2022. Na ocasião, ele chamou Talita Libório de "macaca", "negrinha" e afirmou que ela "só ganha roubado". A pena foi convertida em serviços comunitários.
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A condenação foi proferida após a 1ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) reverter uma decisão anterior que havia absolvido Rossi, alegando que não havia provas suficientes da autoria do crime.
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Talita, no entanto, recorreu da decisão. "A vítima apresentou um relato detalhado, coerente e seguro em ambas as fases do processo penal", afirmou o desembargador Flavio Fenoglio, que analisou o recurso. Segundo ele, o testemunho da judoca foi corroborado por uma testemunha imparcial que presenciou a ofensa, o que justificou a condenação.
Além dos serviços comunitários, Renan Rossi terá que pagar R$ 5 mil à vítima. Ainda cabe recurso.
Durante os Jogos Abertos do Interior em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, em 2022, Talita Libório denunciou o caso de racismo. Ela representava a delegação de Mogi das Cruzes. Após vencer uma luta, foi insultada como "negrinha" e "macaca", e ouviu que "só ganha roubando". As ofensas, segundo ela e testemunhas, partiram do instrutor Renan Augusto Furtado Rossi, da delegação de Sorocaba.
Conforme a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), o caso gerou forte impacto psicológico em Talita, que não competiu no dia seguinte, ficou um ano afastada do judô e precisou de acompanhamento psiquiátrico por dois anos. Após o incidente, a Prefeitura de São Sebastião instalou faixas contra o racismo em espaços esportivos dos Jogos Abertos.
Nas redes sociais, Talita Libório comemorou a decisão. "Um dos dias mais difíceis da minha vida", disse ela ao recordar o episódio, que classificou como "uma dor inesperada e profunda, que deixou marcas que o tempo não apaga".
"A dor não me calou. A injustiça não me fez desistir. E o racismo não passou despercebido. Sigo de pé, sigo lutando e sigo acreditando que respeito, dignidade e justiça não são favores: são direitos", escreveu.
A defesa de Renan Augusto Furtado Rossi sustenta que o professor é inocente e que o testemunho de outras pessoas contradiz a acusação.







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