Empresária e policial são acusados de tortura e tentativa de homicídio no Maranhão

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Empresária acusada de tortura surge sorridente em imagem obtida pela investigação (Foto: Instagram)

O Ministério Público do Estado do Maranhão (MPMA) apresentou uma denúncia criminal contra a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos e o policial Michael Bruno Lopes Santos. Eles são acusados de tortura, tentativa de homicídio qualificado e tentativa de aborto contra Samara Regina Dutra Soares, uma trabalhadora doméstica de 19 anos, grávida de seis meses, que foi injustamente acusada de furtar um anel da patroa.

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A denúncia, assinada pela promotora de Justiça Nahyma Ribeiro Abas, foi aceita pela Justiça na quinta-feira (2/7). Os acusados permanecem em prisão preventiva no sistema prisional do Maranhão. Samara foi contratada de forma verbal para serviços domésticos temporários na casa da empresária em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís.

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No dia 17 de abril deste ano, após ser acusada de roubar um anel avaliado em R$ 5 mil, Samara teria sido submetida a agressões físicas e psicológicas para confessar um crime que, de acordo com o MP, nunca ocorreu.

Conforme a denúncia, Michael Bruno Lopes Santos, armado, golpeou a testa da vítima e a arrastou pelos cabelos. Durante o ato violento, Samara foi mantida de joelhos sob a mira de uma arma, enquanto era ameaçada e pressionada psicologicamente.

Os acusados teriam ameaçado dopar a jovem para levá-la a um sítio, onde pretendiam matá-la. O anel foi encontrado posteriormente em um cesto de roupas, revelando que não havia sido furtado, mas esquecido pela patroa.

Mesmo após a joia ser localizada, a promotoria afirma que a empresária continuou agredindo Samara com socos e tapas, enquanto o policial a segurava. Grávida de seis meses, Samara teve que se proteger durante as agressões.

A investigação mostrou que Samara aceitou o trabalho de um mês na casa de Carolina para conseguir dinheiro para o enxoval do bebê.

PROVAS
A denúncia destaca que a materialidade e autoria dos crimes são sustentadas por exames de corpo de delito e laudos periciais que constataram perda auditiva na vítima, além de registros de acionamentos da Polícia Militar pelo 190.

O MP também apresentou dois áudios apreendidos pela Polícia Civil, nos quais a empresária relata as agressões.

Em um dos áudios, Carolina diz: “A Carol dos velhos tempos voltou assim: florescendo. Dei tanto nessa mulher que até hoje minha mão tá aqui inchada.”

Em outro trecho, ao ser questionada sobre as agressões, ela responde: “Não era nem para ter saído viva.”

Ainda nas gravações, Carolina relata que uma viatura da PM os abordou no dia do crime, mas que foi liberada por um policial conhecido. Segundo ela, o policial alertou: “Carol, se não fosse eu, eu tinha que te conduzir para a delegacia, porque ela está cheia de hematomas.”

A promotora Nahyma Ribeiro Abas pediu que Carolina Sthela Ferreira dos Anjos e Michael Bruno Lopes Santos sejam julgados pelo Tribunal do Júri, pelo crime de tentativa de homicídio qualificado.

O Ministério Público também solicitou a manutenção das prisões preventivas, a realização de diligências complementares e se manifestou contra o pedido de sigilo feito pela defesa.

De acordo com a promotoria, a investigação foi concluída e o caso possui “amplo interesse social e repercussão pública”.

Até o fechamento desta reportagem, as defesas dos acusados não se manifestaram sobre a denúncia. O espaço permanece aberto.

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