
Página do Sistema Ancine Digital invadida exibe imagem de Flávio Bolsonaro e mensagens de ódio contra nordestinos e universidades públicas (Foto: Instagram)
O Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências) e a Associação das Servidoras e dos Servidores Públicos da Ancine (Aspac) exigem que a Polícia Federal (PF) investigue o ataque cibernético ao site da Agência Nacional de Cinema (Ancine) ocorrido na última segunda-feira (12/10).
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De acordo com a nota de repúdio das associações, a invasão ao site configurou um ataque direto às atividades de fiscalização da agência. O incidente alterou o endereço do Sistema Ancine Digital, amplamente utilizado por servidores e profissionais do audiovisual, redirecionando os usuários para uma página com uma imagem de Flávio Bolsonaro (PL) e mensagens de ódio contra nordestinos e universidades públicas.
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“O ataque deixou o SAD fora do ar por cerca de 48 horas, afetando atividades essenciais da agência e o atendimento ao público externo”, detalham os servidores na nota. “O episódio é uma agressão à Ancine, aos seus servidores e à sociedade brasileira. Ao atacar nordestinos e ameaçar universidades públicas, os invasores expressam preconceito contra a diversidade regional, o pensamento crítico e as instituições democráticas”, diz o comunicado.
O Sinagências e a Aspac expressam solidariedade aos grupos afetados e exigem da Polícia Federal uma investigação rigorosa do ataque, a identificação e responsabilização dos autores, além de esclarecimentos sobre a segurança dos sistemas, proteção de dados e continuidade dos serviços da agência.
A Agência Nacional do Cinema, em nota, descreveu o ataque como uma “pichação virtual” e afirmou que “não houve impacto no sistema ou violação de dados e informações”. A Ancine também declarou que tomará as medidas necessárias para investigar o caso e reforçou seu compromisso com a segurança da informação, proteção de dados e continuidade dos serviços.
Conforme explica a nota dos servidores, o Sistema Ancine Digital é “utilizado diariamente pelas principais áreas da Ancine, incluindo registro, fiscalização e fomento, e reúne informações sobre empresas, obras e projetos audiovisuais”. “Alimentado por servidores e usuários externos, o sistema é indispensável à rotina de trabalho da agência. A Aspac também recebeu relatos de dificuldades enfrentadas por usuários que precisavam acessar o sistema com urgência, especialmente para demandas relacionadas à fiscalização.”
No lugar da página inicial do Sistema Ancine Digital, usado por servidores da agência e profissionais do mercado audiovisual, os usuários encontraram uma imagem do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), em destaque, usando óculos escuros e uma camisa do Brasil.
A deputada federal Júlia Zanatta (PL) também aparecia em uma montagem chicoteando uma imagem do mapa da região Nordeste. Além das imagens dos políticos, a “pichação virtual” exibia mensagens contra “nordestinos burros”, ataques a universidades públicas e a “comunistas”, alegações de fraude nas eleições e manifestações de apoio a Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Os servidores da Ancine repudiam o ataque hacker e cobram da PF investigação e responsabilização dos autores. O ataque ocorreu em 12 de outubro ao Sistema Ancine Digital (SAD), e os usuários que tentavam acessar o sistema eram direcionados a uma página com mensagens de ódio, simbologia nazista, ofensas à população nordestina, ameaças às universidades públicas e propaganda política.
O ataque deixou o SAD fora do ar por cerca de 48 horas, prejudicando atividades essenciais da agência e o atendimento ao público externo. O sistema, que já voltou a funcionar, é utilizado diariamente pelas principais áreas da Ancine, incluindo registro, fiscalização e fomento, e reúne informações sobre empresas, obras e projetos audiovisuais. Alimentado por servidores e usuários externos, é indispensável à rotina de trabalho da agência. A Aspac também recebeu relatos de dificuldades enfrentadas por usuários que precisavam acessar o sistema com urgência, especialmente para demandas relacionadas à fiscalização.
O episódio é uma agressão à Ancine, aos seus servidores e à sociedade brasileira. Ao atacar nordestinos e ameaçar universidades públicas, os invasores expressam o preconceito contra a diversidade regional, o pensamento crítico e as instituições democráticas. O Sinagências e a Aspac manifestam solidariedade aos grupos atingidos e cobram da Polícia Federal a investigação rigorosa do ataque, a identificação e a responsabilização dos autores, além de esclarecimentos sobre a segurança dos sistemas, a proteção dos dados e a continuidade dos serviços da agência.
O ataque ocorre em um momento particularmente grave para a Ancine. Ao completar 25 anos de existência, a agência enfrenta um dos períodos mais sombrios e desafiadores de sua história. Tramita no Congresso Nacional o PL 994/2026, apresentado pelo deputado federal Capitão Augusto (PL-SP), que propõe sua extinção. A iniciativa se insere em um movimento de setores da extrema direita que defendem o enfraquecimento ou o fim de instituições públicas responsáveis pela regulação e pela proteção do interesse coletivo.
A atuação da Ancine na regulação, fiscalização e fomento contribuiu para a estruturação de um setor que conquistou reconhecimento nacional e internacional e movimentou R$ 81,1 bilhões em 2025, o equivalente a 0,64% do PIB. Sua importância cultural e econômica exige políticas públicas duradouras e uma instituição forte, autônoma e capaz de garantir sua continuidade.
Esse compromisso também está expresso na Carta Aberta lançada recentemente pela Aspac, com propostas para o fortalecimento da agência e para o futuro da política audiovisual brasileira, disponível em https://cartaaspac.com.
O Sinagências e a Aspac reafirmam que os servidores estarão sempre ao lado da Ancine, defendendo sua existência, sua autonomia e as condições necessárias para que cumpra plenamente sua missão institucional de regular e fiscalizar o mercado audiovisual brasileiro. A Ancine pertence à sociedade brasileira e deve continuar a serviço dela.







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