
Daniel Vorcaro presta depoimento à Polícia Federal por videoconferência (Foto: Instagram)
Durante quase quatro horas de depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e proprietário do Banco Master, negou a existência de uma fraude de R$ 12 bilhões no Banco de Brasília (BRB). Ele afirmou que a Operação Compliance Zero foi conduzida de forma precipitada e que a instituição foi envolvida em uma narrativa falsa de fraude bilionária, comprometendo a confiança necessária para o funcionamento regular de um banco.
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Nesta quinta-feira (15/10), Vorcaro participou de sua terceira audiência no âmbito das investigações sobre as negociações consideradas fraudulentas para que o BRB adquirisse o Banco Master. Conforme a defesa de Vorcaro, ele respondeu de maneira colaborativa às perguntas dos investigadores.
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Os advogados afirmam que, após quase um ano de investigações, ficou evidente que a versão inicial divulgada não se sustenta nem juridicamente, nem factualmente.
Em declaração, a defesa de Vorcaro sustenta que não houve fraude de R$ 12 bilhões no BRB e que não há provas disso. "O negócio envolvendo as carteiras da Tirreno não foi concluído e não gerou prejuízos ao BRB ou seus clientes. Ao contrário do que foi especulado, a troca de ativos realizada mostra que as transações entre o Banco Master e o BRB resultaram em ganhos para o Banco de Brasília", afirmou o banqueiro em seu depoimento à PF.
A defesa de Daniel Vorcaro também informou que apresentará, nesta sexta-feira (16/10), uma contestação na esfera cível e solicitará a realização de perícia para encerrar de vez a narrativa de fraude e prejuízo.
PRISÃO
Daniel Vorcaro está em prisão preventiva desde 4 de março deste ano. Em junho, ele foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, em Brasília. A delegada responsável pelo caso foi até o local para ouvir o ex-banqueiro. Os depoimentos anteriores de Vorcaro foram realizados por videoconferência.
A Polícia Federal iniciou a Operação Compliance Zero em novembro de 2025 para investigar a compra de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Master, supostamente falsas.
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, está preso desde 16 de abril deste ano, suspeito de receber propina de Daniel Vorcaro. Dario Oswaldo Garcia Júnior, ex-diretor executivo financeiro e de controladoria do BRB, também foi alvo de mandado de busca e apreensão no âmbito da Compliance Zero e foi afastado do cargo em novembro de 2025.
AUMENTO DE CAPITAL
Em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal destacou que, em outubro de 2024, em troca de mensagens com Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa expressou preocupação sobre as repercussões no mercado do aumento de capital do BRB para adquirir o Master, enfatizando a necessidade de "dar sinais ao mercado".
Para a Polícia Federal, os elementos indicam que, já em outubro de 2024, a aquisição e a integração do Master ao BRB estavam definidas no plano estratégico, com o aumento de capital e o desenho acionário funcionando como etapas preparatórias para a futura consolidação.
As investigações apontam que, após a entrada do grupo Master na base acionária do BRB, o banco passou a adquirir, em grande volume, carteiras de crédito e outros ativos originados do próprio grupo investidor, totalizando bilhões de reais em operações concentradas em curto período.
"Essa dinâmica evidencia uma circularidade econômica e dependência financeira artificialmente criada, incentivando a internalização de ativos de maior risco, com impacto na solidez financeira da instituição pública", diz trecho do relatório da PF enviado ao STF.







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