Juíza Marina Freire lança livro com crianças acolhidas: “Momento de aconchego”

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Personagens fantasiados participam do evento de autógrafos do livro Leitura Amiga no Tribunal de Justiça de São Paulo (Foto: Instagram)

São Paulo — Um hábito familiar transformou a vida de muitas crianças em abrigos de São Paulo. Inspirada pelas leituras que fazia para seus filhos, a juíza Marina Freire, do Tribunal de Justiça de São Paulo, criou o projeto Leitura Amiga, que lançou seu primeiro livro na sexta-feira (16/10), com contribuições das próprias crianças.

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A iniciativa começou no início da pandemia, há seis anos, um período que Freire descreveu como "horrível". "Se as minhas crianças, que têm todo o acolhimento, estão sofrendo, imaginei as crianças dos abrigos", disse Freire, que trabalhou por sete anos na Vara da Infância em Garça, no interior de São Paulo.

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Observando os efeitos positivos da leitura noturna em seus filhos, a juíza decidiu proporcionar a mesma experiência às crianças em abrigos. "Pensei: 'poxa, eu podia levar esse momento de aconchego pras crianças'", comentou.

Freire organizou transmissões ao vivo para ler histórias aos pequenos, possibilitando ver suas reações. Com o tempo, mais abrigos se juntaram ao projeto, que passou a ser divulgado nas redes sociais, atraindo voluntários de todo o Brasil. O Leitura Amiga chegou a contar com 180 leitores voluntários.

A ajuda de Gilda Cerqueira Amaral Diodatti, desembargadora do TJSP, foi crucial para expandir o projeto. Diodatti sugeriu que as crianças começassem a escrever, ideia que culminou no lançamento do livro.

IMPACTO DA LEITURA NAS CRIANÇAS
Os benefícios da leitura noturna logo se tornaram evidentes. "As crianças mudaram", afirmou Freire. As doações de livros possibilitaram a criação de bibliotecas nos abrigos, e irmãos que antes brigavam passaram a ler juntos.

O projeto também impactou os voluntários, que se conscientizaram sobre a situação das crianças para adoção. "Essas crianças ficam à sombra da sociedade", destacou a juíza.

Com o tempo, as crianças passaram a querer ser as leitoras das noites. As lives permitiram que elas vissem outras crianças em situações semelhantes, criando um sentimento de pertencimento.

Mesmo os não alfabetizados participaram do livro Leitura Amiga – Edição Jovens Escritores, contribuindo com desenhos.

TARDE DE AUTÓGRAFOS
O evento de sexta-feira, com personagens como Moana e Mickey, foi descrito como um "dia de Disney" pela juíza. As crianças foram as estrelas do evento, autografando e recebendo prêmios por suas produções.

"Foi um momento extremamente especial e emocionante", disse Freire.

DA VARA DA INFÂNCIA À JUSTIÇA CRIMINAL
Há 11 anos, a magistrada atua em Juízos Criminais e de Combate à Violência Contra a Mulher em Bauru, SP. Ela destacou a ligação entre essas áreas e a Vara da Infância.

"Muitas crianças em abrigos vêm de lares com violência. A sociedade precisa enxergar isso", exemplificou.

"Espero que possamos publicar este livro e ajudar as crianças a terem acesso a mais livros", concluiu a juíza.

COMO SER VOLUNTÁRIO
Para se tornar voluntário do Leitura Amiga, é possível atuar como leitor, mediador, angariador de casas de acolhimento ou doador de livros. Acesse a página do TJSP sobre o projeto para se inscrever.

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