Uma mansão em Brasília associada à empresária Roberta Luchsinger e a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, teve seu primeiro contrato de aluguel assinado por Rafael Nicolau Fioruci Arbex, dentista que participou como testemunha de um processo da Operação Lava Jato. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, a residência, localizada em um condomínio fechado no Lago Sul, também foi alvo de um acordo de confidencialidade firmado pelo proprietário, que se recusou a fornecer detalhes sobre a locação.
De acordo com a imobiliária TRK, responsável pela intermediação inicial do aluguel, Roberta participou de visitas ao imóvel e de reuniões para discutir a contratação. Apesar disso, o documento foi formalizado em nome de Arbex, que já havia sido citado em um processo envolvendo o sítio de Atibaia, relacionado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A propriedade possui três quartos e está situada em um terreno de 2.110 metros quadrados, em uma área residencial próxima ao Lago Paranoá. Conforme informações publicadas anteriormente pela colunista Bela Megale, do O Globo, o aluguel mensal era de R$ 28 mil.
Ao ser procurada pela reportagem, a imobiliária confirmou que Rafael foi o responsável pela assinatura do contrato em 2024 e esclareceu que não participou das negociações posteriores. “Em 2024, nós da TRK fizemos apenas a intermediação da locação da casa, e o locatário no contrato intermediado por nós foi o Rafael Nicolau Fioruci Arbex. A Roberta nunca foi locatária em nenhum contrato intermediado pela TRK. Depois dessa locação, todas as tratativas e eventuais novos contratos foram feitos diretamente entre o proprietário e os envolvidos, sem qualquer participação da TRK”, informou a empresa.
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Arbex declarou que o contrato permaneceu em seu nome entre setembro de 2024 e agosto de 2025. Segundo ele, a empresária assumiu o aluguel depois desse período. O dentista afirmou que havia procurado a residência a pedido de Roberta e que assinou a documentação porque ela não poderia estar em Brasília na data prevista.
Ele também relatou que mantinha um acordo com a empresária para cuidar do imóvel e realizar tarefas pessoais em troca de moradia. Embora o contrato tenha permanecido em seu nome até agosto, Arbex afirmou que deixou a residência em junho de 2025.
A ligação do dentista com pessoas próximas à família do presidente não é recente. Em 2018, ele prestou depoimento à 13ª Vara Federal de Curitiba no processo sobre o sítio de Atibaia, cuja propriedade formal estava em nome de Fernando Bittar.
Na ocasião, Arbex afirmou que morava gratuitamente no sítio desde março de 2017, a convite de Bittar. Também declarou conhecer Fernando e Fábio Luís havia aproximadamente 25 anos, mas negou que familiares de Lula frequentassem o imóvel.
O dentista possui vínculos familiares com Bittar, já que Lilian, ex-mulher do empresário, é sua prima. Arbex também aparece como sócio das empresas Tex Serv e Texsaúde.
O processo do sítio de Atibaia resultou na condenação de Lula, em 2019, a 17 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. A sentença, entretanto, foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021, decisão que retirou seus efeitos jurídicos.
No caso da mansão de Brasília, outro ponto mencionado pela reportagem envolve a existência de um acordo de confidencialidade. Procurado pelo O Globo, o proprietário confirmou que havia assinado um documento dessa natureza e utilizou essa justificativa para não comentar as condições da locação.
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A reportagem também procurou Roberto Podval, advogado de Roberta Luchsinger, mas não recebeu resposta.
Já a defesa de Lulinha nega que ele tenha residido na mansão. Representado pelo advogado Marco Aurélio Carvalho, o filho do presidente também contesta qualquer irregularidade relacionada ao imóvel e afirma que não participou de reuniões com empresários ligados à empresária no local.
Roberta Luchsinger passou a ser investigada pela Polícia Federal no contexto de apurações relacionadas a suspeitas de irregularidades envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em 18 de dezembro de 2025, quando foi alvo de uma operação policial, a empresária publicou uma imagem nas redes sociais em que aparecia diante da piscina da residência. “Aos mentirosos, apenas a justiça”, escreveu na ocasião.















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