STJ condena juízes da Bahia por envolvimento em venda de sentenças

Publicado por

–


Fachada do Superior Tribunal de Justiça, em Brasília (Foto: Instagram)

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sentenciou, nesta quarta-feira (21/10), a desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) Maria do Socorro Barreto Santiago a 14 anos e 11 meses e o juiz aposentado Sérgio Humberto de Quadros Sampaio a 15 anos e oito meses de prisão.

++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos

As condenações ocorreram no julgamento inicial da Operação Faroeste, investigação iniciada pela Polícia Federal em novembro de 2019, que desmantelou um esquema envolvendo venda de sentenças, corrupção, lavagem de dinheiro e grilagem de terras na região oeste da Bahia.

++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro

A desembargadora perdeu o cargo e a aposentadoria compulsória do juiz Sérgio foi revogada. Ambos cumprirão pena inicialmente em regime fechado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O esquema visava legalizar a posse de grandes áreas rurais — mais de 800 mil hectares, conforme denúncia do Ministério Público Federal (MPF) — beneficiando empresários do agronegócio e investidores.

Os magistrados recebiam subornos milionários para emitir sentenças favoráveis à grilagem de terras e pressionavam produtores legítimos a pagarem acordos sob ameaça de perderem suas propriedades.

Além dos magistrados, a organização criminosa incluía advogados e produtores rurais. Entre os condenados estão o empresário Adailton Maturino dos Santos, sentenciado a 21 anos e sete meses por corrupção ativa e lavagem de dinheiro; sua esposa, Geciane Souza Maturino dos Santos (16 anos e quatro meses de prisão); e o advogado Ricardo Augusto Três (dez anos e nove meses de prisão).

No julgamento, a Corte absolveu Amanda Santiago Andrade Sousa (cantora, filha da desembargadora), Valdete Aparecida Stresser e Márcio Duarte Miranda por falta de provas. O pedido do MPF para que os réus pagassem indenização por danos morais coletivos à ordem jurídica e à confiança nas instituições também foi rejeitado.

O ESQUEMA
Conforme relatado pelo ministro Og Fernandes, o esquema começou com um borracheiro, José Valter Dias, que atuou como "laranja". Ele alegava ser herdeiro de grandes áreas rurais e conheceu Adailton, que se passava por cônsul da Guiné-Bissau.

Usando o prestígio do cargo falso, o empresário teve acesso a ambientes sociais e políticos ligados ao TJBA, subornando juízes e desembargadores para obter decisões que validassem a herança fictícia.

"A venda de atos jurisdicionais em litígios de grande expressão econômica gerou desconfiança social e abalou a credibilidade do TJBA junto à comunidade e ao mercado produtor do oeste baiano", afirmou o ministro.

JETSS busca contato com as defesas dos condenados. Caso haja resposta, a reportagem será atualizada.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *