
Após ficar atrás no primeiro turno, a campanha de Lula reformulou estratégias para tentar reverter o resultado na etapa final da eleição. (Foto: Instagram)
Após terminar o primeiro turno atrás na disputa presidencial, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou por uma reformulação e adotou uma série de mudanças para tentar virar o resultado na segunda etapa do pleito, decidida neste domingo (25/10).
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O senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 47,03% dos votos na primeira etapa da eleição, ante 45,16% do atual presidente. A diferença ficou em cerca de 2,2 milhões de votos.
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Com três semanas para reverter o resultado, o petista precisou reformular a comunicação nas redes sociais, incorporar novos nomes ao núcleo central da campanha, ampliar o uso da máquina pública e contar com o apoio popular em atos nas ruas. Em um trecho vazado de uma reunião, Lula chegou a dizer que sua campanha de reeleição em 2026 era a mais desorganizada de que participava desde 1989.
Na reorganização, políticos vitoriosos em estados do Nordeste passaram a ter mais destaque no grupo próximo a Lula. O governador reeleito no Piauí, Rafael Fonteles (PT), reforçou a equipe de comunicação; o senador Camilo Santana (PT-CE) entrou na coordenação política; e Rui Costa (PT-BA), ex-ministro e senador eleito pela Bahia, assumiu a articulação da agenda.
A mudança na estratégia digital ocorreu quase imediatamente. Nos dias posteriores ao primeiro turno, Lula chamou aliados para discutir melhorias na atuação on-line. Com influência da ala mais jovem dos parlamentares da base, o chefe do Planalto começou a gravar vídeos no formato “selfie”, buscando conversar de modo mais direto com os eleitores.
Em outra frente, o deputado federal André Janones (Rede-MG) reuniu aliados em um canal no WhatsApp, chamado de “Exército do Lula”. O grupo serve para compartilhar orientações e vídeos e impulsionar hashtags. Em poucas semanas, o “Exército” chegou a 10 milhões de seguidores e reuniu 1 milhão de espectadores simultâneos em uma live com o presidente.
O canal também foi alvo de disputas judiciais, com diversas ações apresentadas pela campanha adversária. Por decisão do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o grupo chegou a ficar fora do ar.
DEBATES E GUERRA AO “TESOURAÇO”
Outra diferença em relação ao primeiro turno foi a participação dos candidatos em debates na televisão. Na primeira etapa, os dois deixaram de comparecer a eventos desse tipo por temerem se tornar alvos dos demais presidenciáveis. No segundo turno, Lula e Flávio participaram de dois debates, promovidos pela TV Bandeirantes e pela Rede Globo, marcados por provocações dos dois lados.
A campanha também buscou desgastar a imagem do adversário, relacionando-o a cortes em programas sociais. Lula explorou a promessa do candidato do PL de fazer um “tesouraço” nas despesas do governo caso fosse eleito. O petista insistiu que a medida reduziria recursos de programas como Farmácia Popular, Pé-de-Meia e Bolsa Família.
O programa de transferência de renda gerou polêmica depois que a campanha de Flávio propôs uma regra de transição para os beneficiários. Pela proposta, a pessoa teria dois anos, após conseguir emprego ou abrir um negócio, para permanecer no programa. Ela poderia voltar a receber o benefício se não prosperasse. Atualmente, o prazo é de até 18 meses. A campanha de Lula usou a proposta para acusar o adversário de querer acabar com o Bolsa Família.
Na reta final, o debate sobre a abertura dos sigilos das duas candidaturas ganhou espaço. A discussão começou no debate presidencial da TV Band, quando Lula desafiou o adversário a abrir os sigilos fiscais, bancários e telefônicos, além dos de familiares, para responder a acusações de corrupção.
Lula autorizou a quebra de seus próprios sigilos, dos cinco filhos e da primeira-dama Janja Lula da Silva, além de dados de empresas associadas a ele, e desafiou o adversário a fazer o mesmo. No dia seguinte, Flávio comunicou ao TSE que aceitaria a proposta, mas apresentou uma série de condições.
Na manifestação encaminhada à Corte Eleitoral, o senador solicitou a divulgação de gastos com cartões corporativos da Presidência e de informações sobre a agenda de Janja. Também pediu a abertura do sigilo do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, entre outras solicitações.
A três dias das eleições, os candidatos concordaram em aceitar todas as condições previstas nas petições. O ministro André Mendonça, do TSE, decidiu que as candidaturas poderiam divulgar, por iniciativa própria, as informações que considerassem pertinentes. Até o momento, porém, nada foi divulgado.
PACOTE DE BONDADES E MANIFESTAÇÕES
A mobilização de apoiadores nas ruas também foi apontada como um fator importante para a virada. Desde o fim do primeiro turno, manifestantes realizaram atos em diversas capitais e cidades brasileiras, reunindo milhares de pessoas em apoio à reeleição de Lula.
O petista também apostou em um novo pacote de medidas voltado a diferentes grupos do eleitorado, de jovens a microempreendedores e trabalhadores.
Em acordo com o senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, o chefe do Planalto conseguiu votar e aprovar o fim da escala de trabalho 6×1, uma das principais bandeiras da campanha.
Em seguida, Lula anunciou o envio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para garantir tarifa zero no transporte coletivo aos fins de semana e feriados em todo o país. O texto chegou ao Congresso na última quarta-feira (21/10), quatro dias antes do segundo turno.
O petista também aprovou um pacote de ações para o Microempreendedor Individual (MEI), que inclui o perdão de dívidas com a União e o aumento do limite anual de faturamento da categoria.
Paralelamente, Lula apresentou novas promessas de campanha e anunciou que, se fosse reeleito, ampliaria o programa Pé-de-Meia para todos os estudantes do ensino médio da rede pública e para universitários. A iniciativa deverá custar cerca de R$ 4,6 bilhões em 2027, com recursos do Fundo Social do petróleo.
Tags: campanha eleitoral, Eleições 2026, Lula







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