
Prefeitura de São Paulo afirma ter determinado a circulação de 100% da frota de ônibus e pede que Ricardo Nunes e dois gestores não sejam presos. (Foto: Instagram)
Emilly Gondim, Milena Vogado | 26/10/2026 20:12, atualizado 26/10/2026 21:00
A Prefeitura de São Paulo, sob gestão de Ricardo Nunes (MDB), informou à Justiça Eleitoral que comunicou às empresas terceirizadas responsáveis pelas linhas de ônibus da capital a determinação de operar com 100% da frota, conforme decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) na sexta-feira (23/10). Com isso, a administração pede que Nunes e secretários não sejam presos por descumprimento da ordem.
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A discussão teve início após publicações apontarem que somente 71,7% dos ônibus das linhas municipais de São Paulo estavam circulando às 13h20 deste domingo (25/10), segundo dados do Businfo, aplicativo que acompanha em tempo real o deslocamento dos veículos por geomonitoramento.
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No documento apresentado, o governo Nunes afirma que contatou as 39 empresas de ônibus entre 14h e 15h de sábado (24/10), depois de ser comunicado sobre a decisão da Justiça Eleitoral de sexta-feira (23/10), favorável à ação popular protocolada por parlamentares do Psol. A prefeitura diz que voltou a reforçar o pedido no domingo, por volta das 13h30.
A gestão de Nunes sustenta que cumpriu a ordem judicial para colocar 100% da frota em operação. Sobre a denúncia de que parte dos veículos permanecia nas garagens, a prefeitura informou que eram ônibus reservas, destinados a situações de problemas técnicos.
Com base nas tentativas de contato com as empresas terceirizadas que operam as linhas de ônibus, a prefeitura pede que Ricardo Nunes, o secretário de Transporte, Celso Jorge Caldeira, e o presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges, não sejam presos.
A Prefeitura enviou a seguinte nota:
“A Prefeitura de São Paulo reafirma que determinou às concessionárias para colocar 100% da frota de ônibus nas ruas no domingo do segundo turno das eleições. A SPTrans foi notificada pelo TRE às 13h10 de sábado, e o ofício foi encaminhado às 13h59 para todas as empresas que operam no município. Cabe destacar que o plano operacional havia sido encaminhado previamente aos órgãos eleitorais competentes, sem questionamentos registrados até então, e foi adotado no primeiro turno. A programação foi divulgada com transparência, por meio de comunicados à população e aos órgãos responsáveis. A SPTrans esclarece que eventual descumprimento pelas concessionárias de ônibus acarretará na abertura de processo para aplicação de multa contratual. A Procuradoria Geral do Município (PGM) prestou esclarecimentos ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) neste domingo (25) e informações complementares serão encaminhadas nos próximos dias.”
DEPUTADAS PEDEM PRISÃO DE NUNES POR NÃO GARANTIR TRANSPORTE NO 2º TURNO
A deputada federal Sâmia Bomfim, a vereadora Luana Alves e a deputada estadual Monicas Seixas, todas do PSol, apresentaram pedido de prisão contra o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, o secretário de Transporte, Celso Jorge Caldeira, e o presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges.
A petição das parlamentares do PSol menciona duas reportagens que apontaram que apenas 71,7% dos ônibus das linhas municipais de São Paulo circulavam às 13h20 deste domingo (25/10), conforme dados do Businfo, aplicativo que monitora em tempo real o deslocamento dos veículos por geomonitoramento.
O documento afirma que a Justiça Eleitoral determinou, na sexta-feira (23/10), a operação de 100% do transporte público neste domingo (25/10), dia do segundo turno. No entanto, segundo as reportagens, a decisão não foi cumprida.
“Todavia, em manifesto e acintoso desrespeito à autoridade deste Juízo e às garantias fundamentais do eleitorado paulistano, os Réus estão descumprindo ativamente a ordem judicial no presente dia de votação”, diz o texto.
Por volta das 17h, a Justiça Eleitoral pediu que a SPTrans esclarecesse a falta de ônibus na capital paulista. O prazo estabelecido foi de 1h. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) havia confirmado que participaria, em Brasília, no Distrito Federal (DF), do evento de apuração do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.
As parlamentares do PSol pediram que a multa definida na decisão de sexta-feira, de R$ 100 mil, fosse elevada para R$ 500 mil por hora de descumprimento. Elas consideraram o valor “insuficiente para demover a sanha omissiva e deliberada dos agentes públicos responsáveis no transcorrer das horas de votação.”
A representação também afirma que parte da frota circula como “reservado” e que isso “para ‘sabotar o transporte do eleitorado consubstancia a prática contínua, atual e flagrante dos crimes inscritos nos artigos 297 (impedir ou embaraçar o exercício do sufrágio) e 304 do Código Eleitoral, bem como do artigo 330 do Código Penal (desobediência).”
PERIFERIAS ONDE LULA VENCEU SÃO AS MAIS AFETADAS POR FALTA DE ÔNIBUS EM SP
Neste domingo (25/10), durante a votação do segundo turno da eleição presidencial, a quantidade de ônibus disponíveis em São Paulo foi 31,4% inferior à oferta nos dias úteis (segunda à sexta), entre 11h e 14h. As áreas mais atingidas foram as periferias, sobretudo as que votaram majoritariamente no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os dados foram cruzados a partir de informações da SPTrans, da API Olho Vivo, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A compilação foi feita pelo pesquisador Igor Novaes Lins, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).
O levantamento indica que a Prefeitura de São Paulo manteve parte dos ônibus nas garagens no domingo da eleição. A localização dos veículos, registrada a cada minuto pela API pública Olho Vivo, da SPTrans, permite comparar a manhã da votação com os dias anteriores.
“Entre 11h e 14h circularam ao mesmo tempo, em média, 31,4% menos ônibus do que nos dias úteis da mesma semana, número coerente com os 29% de frota parada noticiados”, diz o relatório.
A redução foi mais expressiva nas periferias, onde a frota disponível caiu 18,1%. Nos bairros mais ricos, a queda no número de ônibus em circulação foi de 10,6%.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o candidato mais afetado, em comparação com Flávio Bolsonaro (PL). De acordo com a pesquisa, nos locais em que Lula venceu o 1º turno, 2.060.902 eleitores aptos votam em 466 locais onde a circulação de ônibus caiu 20% ou mais em relação ao sábado (24/10).
O pesquisador produziu uma tabela com os dados.
SPTRANS ALEGA “DESAFIOS OPERACIONAIS”
Após receber críticas de moradores de São Paulo e ser notificada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), na véspera do segundo turno da eleição presidencial, sobre a ordem para operar 100% dos ônibus municipais neste domingo (25/10), a SPTrans afirmou que “a ampliação da frota em prazo tão reduzido impõe desafios operacionais concretos”.
Segundo a empresa, o TRE-SP enviou a notificação às 13h10 de sábado, com menos de 12 horas de antecedência do início da operação. Às 13h32, a SPTrans “agiu de forma diligente e proativa, comunicando todas as concessionárias responsáveis pelos 32 lotes operacionais da cidade e transmitindo a determinação judicial para adoção das providências necessárias ao seu cumprimento”, de acordo com nota enviada à imprensa.
A companhia ressaltou, porém, “que a ampliação da frota em prazo tão reduzido impõe desafios operacionais concretos”.
“Os operadores relataram dificuldades para readequar, de forma imediata, escalas de trabalho, jornadas e rotinas previamente organizadas. A programação dos profissionais também havia considerado o direito à folga e a organização necessária para assegurar o exercício do voto, o que torna ainda mais complexa uma alteração dessa magnitude na véspera da eleição”, diz a SPTrans.
No terminal Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, as empresas teriam conseguido colocar em circulação uma frota de sábado ou uma quantidade intermediária entre sábado e domingo. Segundo funcionários, as companhias alegaram que o aviso chegou muito em cima da hora e não houve tempo para organizar as escalas de todos os trabalhadores.
A empresa de transportes de São Paulo também afirmou que o planejamento inicial foi feito com base em critérios técnicos e “em dados efetivos de demanda”. A SPTrans usou como referência o domingo anterior, quando 6,9 mil ônibus operaram, oferecendo cerca de 8 milhões de lugares e transportando 3,4 milhões de passageiros.
“Esses indicadores subsidiaram a definição de uma oferta de transporte compatível com o comportamento observado da demanda”, declarou a empresa. A companhia acrescentou que adotou a mesma estratégia no primeiro turno, sem questionamentos dos órgãos eleitorais.
“A SPTrans respeita as determinações da Justiça Eleitoral e atua para viabilizar o atendimento à população, observadas as condições operacionais necessárias à execução do serviço. A necessidade de alteração de um planejamento previamente estruturado, quando comunicada com antecedência inferior a 12 horas, deve ser analisada à luz das condições concretas de mobilização de veículos e profissionais, sem desconsiderar os impactos sobre a organização do trabalho e o direito ao voto dos trabalhadores”, afirmou a companhia.
Eleitores de São Paulo relataram a situação.
PT ACIONA O TRE-SP CONTRA NUNES
O Partido dos Trabalhadores (PT) acionou o TRE-SP no início da tarde deste domingo para denunciar a falta de ônibus em São Paulo durante o segundo turno. Segundo o tribunal, a representação apontou que havia poucos coletivos circulando pela cidade para transportar os eleitores.
À imprensa, Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse ter recebido oficialmente de empresários do setor de transporte a informação de que as frotas circulavam com redução de cerca de 40% em São Paulo, contrariando uma determinação judicial. Para ele, a situação prejudica a redução da abstenção.
“Nós sabemos que há uma determinação da Justiça em São Paulo e no país, e isso é muito importante dizer, para que 100% da frota possa na verdade circular nas cidades, garantindo portanto esse direito sagrado de voto”, disse sobre a situação envolvendo Nunes.
O partido também solicitou a extensão do horário de votação na capital, a aplicação ou o aumento da multa por hora de descumprimento da decisão do TRE-SP sobre a disponibilidade de ônibus e a prisão do secretário de Mobilidade Urbana, Celso Jorge Caldeira, e do presidente da SpTrans, Victor Hugo Borges.
Tags: Ônibus, Ricardo Nunes, São Paulo, transporte público







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