Entenda o esquema de “empresas-espelho” que usa padarias de SP em fraudes

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Investigadores apontam que duas padarias em São Paulo seriam controladas por grupo acusado de lavar dinheiro e usar empresas-espelho em fraudes tributárias. (Foto: Instagram)

Duas padarias, uma na região central e outra na zona sul de São Paulo, são controladas por grupo criminoso acusado de ter relações com integrantes do PCC.

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Acusado de lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), o grupo criminoso liderado por Mohamad Murad, o Primo, e Roberto Leme, o Beto Louco, utiliza um esquema chamado por investigadores de “empresas-espelho” para facilitar fraudes tributárias.

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O mecanismo funciona da seguinte forma: primeiro, abre-se uma empresa em determinado endereço. Meses depois, outra é registrada no mesmo local, com capital social maior. Embora o estabelecimento pareça operar normalmente, o cliente não sabe a qual empresa está pagando. A fraude fiscal fica concentrada em um dos negócios e, quando a Receita alerta para dívidas tributárias de um CNPJ, todo o faturamento é transferido para a outra empresa, de capital maior.

Isso acontece, por exemplo, em padarias de São Paulo. A padaria Iracema, na Avenida Angélica, região central da capital paulista, foi comprada pelo grupo inicialmente em nome de uma laranja que mora em Sergipe. Depois, passou para Tharek Majide Bannout, uma espécie de “agregado” da família de um dos líderes do grupo criminoso. A irmã de Tharek é casada com um advogado que é primo de Mohamad Mourad.

Em 21 de setembro, a reportagem foi ao estabelecimento e comprou cafezinhos no débito e no crédito. Em cada nota fiscal pedida, constava um CNPJ diferente. Um mês mais tarde, a reportagem voltou à padaria e encontrou um terceiro CNPJ.

As defesas de Primo e Beto Louco negam qualquer ligação com o PCC (leia as notas na íntegra abaixo). O advogado de Tharek preferiu não se manifestar. A padaria também foi procurada, mas não respondeu. O espaço permanece aberto para manifestação.

DO CANAVIAL À FARIA LIMA

Essa e outras histórias integram o especial “Do Canavial à Faria Lima”. Nesta quinta-feira (29/07), uma série de reportagens aborda as consequências da operação Carbono Oculto, apontada como a maior ação de combate à infiltração do crime organizado na cadeia de combustíveis do país.

Deflagrada em agosto de 2025 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPSP, a operação revelou um grupo criminoso que controlava canaviais, usinas, distribuidoras de combustíveis e postos de gasolina. Centenas de empresas estavam envolvidas em uma complexa rede de fraudes, sonegação de impostos e ocultação de patrimônio. A estrutura ia dos canaviais do interior paulista às fintechs da Faria Lima.

DESVIO BILIONÁRIO

Investigadores estimam que o império comandado por Primo e Beto Louco movimentou R$ 54 bilhões entre 2019 e 2024, dos quais pelo menos R$ 8,4 bilhões teriam sido desviados em fraudes fiscais e lavagem de dinheiro. Em diversos casos, os negócios da dupla se conectam aos de pessoas acusadas de integrar o PCC. As defesas, porém, negam essa ligação.

A apuração consultou milhares de páginas de processos judiciais e inquéritos do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Federal (PF) para compreender os efeitos da rede criminosa. Também ouviu usineiros, agricultores, empresários do setor de combustíveis e autoridades públicas para detalhar os danos causados à sociedade pelo crime organizado.

Pouco mais de um ano após a Carbono Oculto, Primo e Beto Louco continuam foragidos, trabalhadores rurais tentam obter indenizações e alguns postos ligados ao grupo seguem funcionando sem autorização. A experiência adquirida pelos investigadores com a operação permitiu descobrir outras fraudes financeiras. Além disso, a arrecadação dos estados com combustíveis aumentou em todo o país, sinalizando que a ação conseguiu, ao menos parcialmente, conter crimes no setor.

A defesa de Lucas Simões não quis se pronunciar. O espaço segue aberto para Lúcia Simões.

O QUE DIZ A DEFESA DE PRIMO

Em nota, o advogado Conrado de Almeida Prado afirma que Mohamed Murad, o Primo, é alvo de “narrativas especulativas” e declara que provará a inocência do cliente.

A defesa de Mohamed Mourad afirma que as notícias recentes sobre as atividades empresariais dele apresentam narrativas especulativas, sem respaldo nos autos do processo.

O texto publicado extrapola o objeto da acusação apresentada pelo Ministério Público. A denúncia recém-oferecida, ressalta a defesa, nem sequer atribui ao investigado vínculo com organizações ou facções criminosas, embora a reportagem insista em construir ilações infundadas sobre o tema.

A defesa rejeita tentativas de antecipar um julgamento público e afirma que todas as atividades empresariais de Mohamed Mourad foram realizadas com regularidade e respaldo documental. Diz ainda que a legalidade das condutas e a inocência dele serão comprovadas no processo judicial.

O QUE DIZ A DEFESA DE BETO LOUCO

Em nota, o advogado Celso Vilardi, que representa Roberto Leme, o “Beto Louco”, diz que não aceita a divulgação de informações parciais e incompletas e nega que o cliente tenha ligação com o PCC.

A defesa do empresário Roberto Leme informa que ainda não teve acesso à íntegra das investigações e que responderá a todas as acusações no momento processual adequado.

Também rejeita a divulgação de informações parciais e incompletas, que, segundo a defesa, prejudica a reputação dos empresários e sua defesa antes da apresentação das contestações.

A defesa afirma que é um erro grave tentar associar o empresário à facção criminosa PCC e sustenta que nenhuma das investigações em andamento apresenta evidências que confirmem essa alegação.

Tags: PCC

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