Irmã que denunciou puff milionário acusa delegada por violência psicológica

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Irmã de delegada registra ocorrência por suposta violência psicológica em meio à investigação sobre dinheiro encontrado em um móvel. (Foto: Instagram)

São Paulo — A irmã da delegada Maria Corsato, que disse ter encontrado mais de R$ 1 milhão em espécie escondidos em um móvel da agente, registrou um boletim de ocorrência contra ela por suposta violência psicológica contra a mulher.

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Segundo o documento, Marise Rezende Corsato Braga afirmou ter sido procurada por Alberta De Luca Tesei, amiga das duas irmãs. Alberta teria dito que a imprensa buscava mais informações sobre o caso e que Marise também seria alvo de investigação policial. Em seguida, pediu que ela tivesse cuidado com o que diria à polícia.

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Marise interpretou as declarações de Alberta como violência psicológica e relatou às autoridades que a irmã sabe que ela tem “medo profundo da polícia” e “conhece bem sua condição de fragilidade psicológica”, pois faz acompanhamento psiquiátrico periódico para tratar transtorno de ansiedade e depressão.

Marise também declarou que a irmã sabe manipulá-la “por meios indiretos”, causando-lhe dano emocional e, dessa forma, controlando suas ações e seu comportamento.

A defesa da delegada Maria Corsato foi procurada, mas não havia respondido até aquele momento. O espaço permanece aberto.

SEM SAIR DE CASA

O boletim registra que, desde que recebeu a mensagem de Alberta, Marise não sai de casa e chegou a deixar de votar nas eleições. Ela afirma que a delegada não entrou em contato diretamente nem a ameaçou, mas teme por sua integridade física, sobretudo porque a irmã “possui arma de fogo”.

Marise também diz que Maria expôs indevidamente sua condição psicológica íntima ao afirmar, em uma nota publicada nas redes sociais, que “ela enfrenta problemas relacionados à dependência do álcool e à fragilidade emocional” e “Conheceu seu histórico de atitudes impulsivas, muitas vezes seguidas de arrependimento (…)”.

Por isso, a irmã da delegada relatou que, além do constrangimento provocado pela mensagem transmitida indiretamente por Alberta, segundo a qual ela também seria investigada, sentiu-se “humilhada e constrangida” com a publicação de Maria nas redes sociais.

DINHEIRO EM PUFF DE DELEGADA

  • A irmã da delegada Maria Corsato acionou a Polícia Militar (PM) após supostamente encontrar dinheiro dentro de um puff entregue pela oficial.
  • A Corregedoria da Polícia Civil investiga o caso.
  • Segundo o relato, a irmã recebeu o puff da delegada em 30 de setembro, quatro dias antes do primeiro turno das eleições. Maria Corsato foi candidata a deputada estadual pelo União, mas não foi eleita.
  • Ao entregar o móvel, Maria Corsato teria dito que estava “sendo procurada devido a uma suposta ordem de busca e apreensão”, conforme o boletim de ocorrência.
  • Nesse sábado (24/10), a irmã decidiu abrir o móvel com uma faca e teria encontrado, dentro do puff, cédulas e papéis com anotações. Ela então chamou a polícia, que foi ao endereço e apreendeu os objetos.
  • O boletim também informa que os policiais tentaram encontrar a delegada em sua residência, mas o porteiro do prédio disse que ela não estava.
  • Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Corregedoria-Geral da Polícia Civil abriu procedimentos para investigar a origem dos valores apreendidos e apurar eventual responsabilidade criminal e administrativa da delegada. A Polícia Militar foi acionada pela proprietária do imóvel, irmã da delegada, depois que ela encontrou o dinheiro dentro de um móvel.
  • “Os valores e as anotações encontrados foram apreendidos, e o dinheiro será encaminhado para depósito judicial. A apuração inclui a oitiva da denunciante e a realização das perícias cabíveis. Até o registro da ocorrência, a delegada não havia sido localizada para prestar esclarecimentos”, informou a SSP.
  • O caso foi registrado como lavagem de dinheiro, irregularidades funcionais e apreensão de bens.

DELEGADA DIZ QUE R$ 1,8 MILHÃO ENCONTRADOS EM PUFF SÃO “HERANÇA DE TIA”

A delegada Maria Corsato declarou que o dinheiro é parte de uma herança ainda não partilhada nem declarada. A irmã chamou a polícia após alegar que encontrou as cédulas escondidas no móvel.

As notas teriam sido encontradas na casa de uma tia em 2023. De acordo com o advogado de Maria Corsato, a delegada e a irmã estavam “pensando como iam fazer para regularizar o dinheiro”, mas “não houve tempo” para declarar a quantia porque a irmã agiu durante um “surto”.

Nas redes sociais, Maria Corsato disse que a denúncia da irmã foi motivada por um desentendimento entre as duas. “O episódio ocorreu alguns dias após ela ter ido ao local de trabalho do meu cunhado e provocado um escândalo. Como fiquei ao lado dele, ela se desentendeu comigo”, escreveu.

A delegada também mencionou outro episódio, ocorrido em 2008. Na ocasião, Corsato teria avisado que chegaria mais tarde do trabalho e, em resposta, a irmã teria registrado um boletim de ocorrência na Corregedoria, alegando abandono.

Tags: Delegacia, dinheiro, Investigação, São Paulo

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