Chutes do bebê causam dor no fim da gravidez, mas anatomia protege órgãos da mãe

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Os movimentos do bebê podem causar desconforto, mas são amortecidos pelas estruturas que protegem os órgãos da mãe. (Foto: Instagram)

Os chutes e movimentos bruscos do bebê durante a gestação não têm força para ferir ou lesionar os órgãos internos da mãe, embora possam provocar desconforto e dores intensas na fase final do desenvolvimento fetal.

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O organismo conta com diversas camadas anatômicas que absorvem e dispersam o impacto dos movimentos. Ainda assim, o estiramento de tecidos sensíveis, as mudanças hormonais e a diminuição do espaço abdominal no terceiro trimestre fazem com que a dor seja uma queixa frequente entre grávidas.

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A integridade física materna é preservada pela ação conjunta do líquido amniótico, das membranas, da parede muscular do útero e da camada abdominal.

A ginecologista e obstetra Marcelle Thimoti explica que essa estrutura evita que a força exercida pelo feto alcance os órgãos de maneira prejudicial.

“O líquido amniótico amortece os movimentos do bebê e distribui a força do impacto. Muscular, elástica e resistente, a parede do útero absorve boa parte da energia do chute. Assim, chega muito pouca força aos demais órgãos”, afirma.

FATORES DE DOR NO TERCEIRO TRIMESTRE

A dor tende a aumentar nos últimos meses da gravidez por causa do crescimento fetal e das mudanças anatômicas necessárias para acomodar o feto. O útero maior comprime os órgãos próximos, desloca o diafragma e força a abertura das costelas. A ação do hormônio relaxina intensifica esse processo ao deixar ligamentos e articulações mais frouxos.

Segundo Nathalia Andreotta, fisioterapeuta pélvica do Hauge Studio e Fit, a parede abdominal passa por alterações importantes que afetam a estabilidade do corpo. A separação dos músculos reto-abdominais, chamada diástase, é considerada normal e pode atingir até 100% das gestantes no fim da gravidez.

“Estudos mostram que gestantes no terceiro trimestre com diástase mais acentuada têm mais dor lombar e maior impacto nas atividades diárias. Quanto mais fracos os músculos abdominais, maior a instabilidade”, afirma a especialista.

A dor abaixo das costelas ou na região púbica também pode estar relacionada à posição do bebê. Quando o feto está na posição cefálica, com a cabeça para baixo, os chutes se concentram na parte superior do abdômen. Na posição pélvica, em que está sentado, a pressão recai sobre a pelve e a bexiga.

Além disso, cirurgias anteriores, como cesáreas, podem deixar cicatrizes e aderências que reduzem a elasticidade dos tecidos e aumentam a sensação de repuxamento.

ORIENTAÇÕES PARA ALÍVIO E SINAIS DE ALERTA

Para reduzir o desconforto muscular e postural, são recomendadas práticas que fortaleçam a musculatura e favoreçam a mobilidade. Exercícios de estabilização, hidroginástica, mudanças frequentes de postura e o uso eventual de cintas elásticas flexíveis ajudam a sustentar a carga abdominal.

A fisioterapeuta ressalta, porém, que não há garantia de que medidas posturais mudem a posição do feto para evitar pontos doloridos.

Embora o impacto fetal não cause danos aos tecidos, dores agudas não devem ser desconsideradas. Dores intensas na parte superior do abdômen ou abaixo das costelas do lado direito podem indicar complicações graves, como pré-eclâmpsia, especialmente quando acompanhadas de dor de cabeça, inchaço súbito ou alterações visuais.

“A dor provocada pelos movimentos do bebê costuma ser localizada e passageira. Se houver dor persistente, sangramento, contrações ritmadas ou diminuição dos movimentos fetais, a gestante deve procurar atendimento médico imediatamente”, alerta Marcelle Thimoti.

Tags: Bebê, gestação, Saúde

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