
Bruno Motta afirma ter recebido milhares de mensagens, incluindo ameaças, após Nikolas Ferreira ironizar seu relato sobre o cancelamento de um evento por razões políticas. (Foto: Instagram)
Belo Horizonte — O humorista e produtor mineiro Bruno Motta, de 46 anos, afirma ter recebido milhares de mensagens, algumas com ameaças de violência, depois que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ironizou uma publicação sua nas redes sociais. No post, o comediante relatava o cancelamento de um evento por razões políticas. Ao compartilhar o conteúdo, o parlamentar debochou: “Tá assustadinho, gente”.
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Motta diz que os ataques tiveram início após a manifestação do deputado. Entre as mensagens que recebeu, havia ameaças de agressão caso fosse reconhecido na rua ou em seus espetáculos.
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Em entrevista nesta sexta-feira (30/10), o humorista, que tem 25 anos de carreira e atualmente apresenta o espetáculo LGBT+ Gongada Drag, contou que o caso começou depois do segundo turno das eleições presidenciais, realizado no último domingo (25/10).
Na ocasião, ele publicou um desabafo nas redes sociais sobre o cancelamento de uma apresentação corporativa por causa de suas posições políticas. Segundo ele, foi a primeira vez na carreira que sentiu medo.
“Depois da eleição, publiquei no Twitter para mostrar a dimensão do que estávamos enfrentando e contei que, pela primeira vez, senti medo diante da situação, porque tive um show corporativo cancelado por razões políticas”, relatou.
Nikolas compartilhou nos stories do Instagram um trecho do relato de Bruno, acompanhado da mensagem: “Os fascistas não querem mais sustentar vocês. Bem-vindo a uma nova era”. Depois disso, o humorista começou a receber ameaças.
“Em 25 anos de carreira, foi a primeira vez que passei por um problema assim, até porque não trato de política nos trabalhos corporativos que faço. Sou um dos comediantes que mais trabalha com empresas, como mestre de cerimônias e em apresentações de stand-up corporativo, justamente pela minha abordagem”, disse Bruno.
AMEAÇAS APÓS PUBLICAÇÃO DE NIKOLAS
O comediante afirmou que recebeu uma enxurrada de mensagens após a publicação de Nikolas, feita em meio a uma campanha de boicote a empresas de serviços cujos proprietários teriam se manifestado a favor da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Nikolas usou uma parte da minha mensagem na campanha para boicotar supostos trabalhadores, empresas e prestadores de serviço ligados à reeleição do presidente. Desde então, recebi uma enxurrada de mensagens públicas e privadas, em quantidade impossível de calcular, na casa dos milhares”, afirmou.
“Reviram minhas mensagens antigas para encontrar outras e me expor. Há ameaças de violência caso me encontrem ou apareçam nos shows. Tem de tudo”, acrescentou.
Motta disse que ainda não registrou um boletim de ocorrência (B.O.), mas que pretende reunir provas dos ataques. Segundo ele, alguns autores apagaram mensagens depois que ele respondeu que entraria com ações judiciais.
“Ainda não fiz o BO, mas quero mostrar que esse comportamento não é o esperado de um deputado eleito, que deve trabalhar para todos, propondo projetos, e não boicotes”, declarou.
Bruno explicou que pretendia chamar atenção, com a publicação, para o fato de que, pela primeira vez em 25 anos de carreira, teria enfrentado boicotes. “E esse não é o caminho correto. Sempre acreditei que trabalhos, CNPJ, não têm posição política”, acrescentou.
NIKOLAS DEFENDE BOICOTES
O deputado tem defendido publicamente boicotes a estabelecimentos comerciais motivados por divergências políticas. Nessa quinta-feira (29/10), ao compartilhar o vídeo de uma empresária que contou ter perdido clientes, escreveu: “Tá chateada porque direita não vai mais no seu comércio? Democracia? Concordo, as pessoas são livres pra não irem mais”.
Nesta sexta-feira (30/10), Nikolas voltou a apoiar a prática e afirmou que consumidores podem deixar de frequentar estabelecimentos de pessoas cujas posições sejam contrárias às deles.
BOICOTES POLÍTICOS PODEM SER CONSIDERADOS CRIME, DIZEM ESPECIALISTAS
Na quarta-feira (28/10), advogados trabalhistas ouvidos sobre o tema disseram que demitir ou ameaçar demitir alguém por posicionamento político pode configurar discriminação e gerar consequências judiciais, como indenizações e reintegração ao emprego. A depender das circunstâncias, a conduta também pode ser considerada crime eleitoral.
Sobre os boicotes, especialistas explicam que consumidores são livres para escolher onde comprar, mas a divulgação de listas para expor, constranger ou perseguir comerciantes por suas opiniões políticas pode ultrapassar os limites da liberdade de expressão.
Tags: Minas Gerais, Nikolas Ferreira







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