
Pesquisa aponta que 63% das mulheres entrevistadas se sentem menos atraídas pelo estereótipo do “homem alfa”. (Foto: Instagram)
Um estudo feito pelo aplicativo de encontros Chyrpe indicou que mulheres heteroafetivas buscam relacionamentos emocionalmente equilibrados. Segundo os dados divulgados, 63% das entrevistadas se sentem cada vez menos atraídas por homens alfa, estereótipo popular que impõe um comportamento de líder dominante, fisicamente forte e centralizador, que toma as “rédeas” das situações.
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Questionadas se procurariam ativamente um homem alfa, 44% responderam que não. A pesquisa mostrou que as mulheres preferem parceiros que as compreendam e permitam que elas também participem das decisões — ao contrário do que propõe o rótulo dos “dominantes”.
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Embora a maioria busque relações mais flexíveis, 3% das mulheres ainda pensam em investir em um parceiro controlador, 9% procuravam dominância e 16% davam prioridade à assertividade.
PSICÓLOGA AVALIA RESULTADO DA PESQUISA
A psicóloga Alessandra Araújo afirma que as mulheres estão mudando a maneira como percebem a dinâmica das relações amorosas. “Esse dado, de 63%, não é um fato isolado, mas o sintoma de um reposicionamento psíquico profundo”, avalia a especialista.
Na avaliação dela, o desejo ligado à fantasia de proteção e controle está sendo substituído pela busca de um vínculo real e de segurança psicológica.
“Se antes a figura ‘alfa’ oferecia uma falsa promessa de firmeza em um mundo incerto, hoje a incapacidade de se comunicar, acolher e demonstrar vulnerabilidade é percebida clinicamente como imaturidade emocional e rigidez defensiva, afastando mulheres que buscam parcerias maduras”, ressalta.
MUDANÇAS CULTURAIS
Fatores socioculturais também interferem nos novos arranjos. De acordo com Alessandra, a independência financeira e a autonomia feminina estão entre os principais motivos para as mulheres terem mais clareza sobre o que esperam de uma relação.
“Quando deixam de precisar do homem como provedor econômico ou figura de tutela, as mulheres veem a lógica da ‘dependência’ desmoronar. O critério de escolha deixa de ser o status ou a dominância funcional e passa a ser o bem-estar afetivo e o companheirismo”, aponta.
Outro elemento que, segundo a especialista, “mudou o jogo” é o letramento emocional e a psicologização da sociedade. “Há muito mais debates sobre saúde mental, limites, relacionamentos tóxicos e responsabilidade afetiva. Comportamentos antes tolerados como ‘coisa de homem’ — entre eles, o silêncio punitivo, a agressividade passiva e o controle — hoje são rapidamente reconhecidos como sinais de alerta”, destaca.
A ideia de assumir uma função de cuidado também tem provocado desconforto. A psicóloga ressalta que as parceiras já não aceitam se sentir sobrecarregadas, ocupando o lugar de “mães” ou terapeutas não remuneradas de parceiros que não conseguem dar nome aos próprios sentimentos.
RED FLAGS
Alessandra chama atenção para o estereótipo dos “homens alfa”. Para ela, uma dinâmica baseada na dominância, na centralidade do próprio ego e no controle pode esconder uma postura defensiva considerada clinicamente narcisista.
“Para sustentar a imagem de alguém inabalável e no comando, o indivíduo precisa que tudo ao redor gire em torno de suas vontades, deixando o outro em segundo plano. Isso torna a relação profundamente unilateral. A mulher percebe que, nessa dinâmica, suas necessidades emocionais, seus projetos e sua voz são constantemente ofuscados pelo imperativo masculino. A postura ‘alfa’ exige que a parceira demonstre submissão ou se adapte continuamente, o que impede uma troca genuína”, explica.
O ideal masculino também afeta negativamente a forma como os homens entendem os relacionamentos. “Culturalmente, somos moldados por crenças e valores. Esse ‘ideal’ preestabelecido pressiona os homens a serem sempre fortes, racionais e provedores, transformando-os em ‘solucionadores’ solitários de problemas”, comenta.
A psicóloga avalia que essa dinâmica provoca sobrecarga emocional, ansiedade de desempenho e grande dificuldade, por parte dos parceiros, para falar de fraquezas ou medos.
“A vulnerabilidade é vista, de maneira equivocada, como perda de valor. Sem recursos para expressar o que sentem, muitos acabam se fechando ou reagindo com silêncio e irritação, prejudicando a intimidade e a conexão no relacionamento. Ao homem não é permitido sentir. Essa é uma verdade que ainda persiste, embora já existam mudanças sociais”, afirma.
Tags: homem, mulher, namoro, parceria, pesquisa, relacionamento







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