Quem é o “Concierge do PCC” beneficiado por decisão que suspendeu leilão

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Justiça Federal suspende leilão de apartamento de luxo associado a empresário investigado por suposta ligação com o PCC; defesa nega vínculo com o crime organizado. (Foto: Instagram)

São Paulo — Willian Barile Agati, conhecido como o “Concierge do PCC”, é dono do apartamento luxuoso em Indianópolis, área nobre da zona sul de São Paulo, cujo leilão foi barrado. Segundo a Polícia Federal (PF), o empresário é apontado como interlocutor entre lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), outros compradores no exterior e a máfia italiana ‘Ndrangheta na venda de cocaína para a Europa. A defesa de Agati nega qualquer vínculo dele com o crime organizado.

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A Justiça Federal de Curitiba, no Paraná, impediu no último dia 27 o leilão de um apartamento luxuoso ligado a Agati, no Edifício Saint Barthelemy, na zona sul da capital paulista. Entre os argumentos apresentados, a defesa obteve o acolhimento de um pedido de reconsideração. Conforme documento obtido pela reportagem, a solicitação apontou possíveis prejuízos financeiros decorrentes da medida que autorizava o leilão do imóvel.

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Situado em uma das áreas mais caras da capital paulista, o imóvel associado ao “Concierge do PCC” foi alvo de uma ação de sequestro no âmbito da Operação Mafiusi, em outubro do ano passado. As estimativas indicam que, no mesmo edifício, os imóveis têm valores entre R$ 3 milhões e R$ 6 milhões.

REDE INTERNACIONAL

Agati foi indiciado em fevereiro do ano passado por administrar uma rede de tráfico internacional. A PF o apontou como interlocutor entre o PCC e a máfia italiana, além de outros compradores que negociavam cargas de drogas para o exterior.

O modo como conduzia os negócios levou Agati a receber o apelido de “Concierge”: ele atendia a diferentes demandas e exigências de pessoas envolvidas no tráfico internacional de drogas, sobretudo do PCC.

“Esses pedidos são dos mais diversos tipos, desde a logística para o narcotráfico e lavagem de dinheiro, até o fornecimento de aviões, veículos, imóveis, artigos de luxo e outras necessidades dos criminosos”, diz a PF na representação pela sua prisão.

Por causa dessas conexões com a organização criminosa, ele foi preso no mês passado. A PF identificou cerca de R$ 2 bilhões em movimentações financeiras feitas por Agati e suas empresas entre 2017 e 2024. A suspeita é que os valores tenham origem no tráfico de cocaína.

De acordo com a investigação, Willian foi escolhido como “concierge” da alta cúpula do PCC por causa de sua “imagem de empresário bem-sucedido”, que justificaria o estilo de vida luxuoso e permitiria sua entrada na alta sociedade.

A lavagem de dinheiro, porém, era feita com o auxílio de empresas de fachada, e Agati é apontado como controlador de várias delas.

Segundo os agentes, ele também usava os codinomes “Senna”, “Boxeador”, “Jogador” e “Playboy”, apelidos adotados no aplicativo de mensagens criptografadas Sky ECC.

Agati foi indiciado na Operação Mafiusi, da PF, junto com outras 13 pessoas. Já na Operação Retis, foram constatados “fortes indícios” de que o concierge seria responsável por operacionalizar parte da lavagem de dinheiro proveniente de ações de tráfico internacional de drogas pelo Porto de Paranaguá (PR).

O porto tem importância nacional por ser o maior na exportação de produtos agrícolas, que, segundo a investigação, eram usados para transportar drogas do Brasil ao exterior, principalmente para países europeus.

A defesa de Agati nega que ele tenha ligação com o crime organizado.

“Agati é um empresário idôneo em diversos ramos nacionais e internacionais sem nunca ter respondido nenhum processo na justiça, e nunca teve e não tem nenhuma conexão com o PCC ou com a máfia italiana (não conhecendo nenhum membro ou pessoa ligada à facções ou máfia)”, afirma o advogado Eduardo Maurício.

O defensor de Agati também disse que o juiz reconheceu dúvidas legítimas sobre a origem e a integridade das mensagens extraídas do aplicativo Sky ECC. “Embora o juiz tenha rejeitado, neste momento, o pedido de anulação das provas extraídas reconheceu dúvidas legítimas sobre a origem e a integridade das mensagens e determinou que sejam obtidos dados brutos e originais do sistema”, afirmou o advogado Eduardo Maurício.

Tags: Investigação, PCC, PF, Polícia Federal (PF), São Paulo, tráfico internacional de drogas

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