
Família relata demora para transferir paciente com pancreatite e afirma que ela precisa de procedimento especializado. (Foto: Instagram)
Belo Horizonte – A família de Leci Cassiano, de 57 anos, relata dificuldade para conseguir a transferência da paciente, internada no Hospital Nossa Senhora de Lourdes, em Nova Lima, na Grande BH, após complicações decorrentes de uma cirurgia para retirar pedras na vesícula, realizada em 27 de outubro.
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Segundo os familiares, a paciente, que é diabética, está com pancreatite, sente dores fortes e precisa passar com urgência por um procedimento para desobstruir um canal entre a vesícula e o pâncreas.
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Em mensagens enviadas à reportagem, Silas, irmão da paciente, afirma que Leci teve alta após a cirurgia, mas começou a passar mal assim que chegou em casa. A família voltou com ela ao hospital e, segundo o relato, foi constatada a obstrução que causou a inflamação no pâncreas.
Silas conta que a irmã passou por uma cirurgia para retirar pedras na vesícula no dia 27 e teve alta no dia 28, apesar das dores e sem realizar exames complementares. Em casa, ela sentiu muita dor, e os familiares a levaram novamente ao hospital.
O procedimento recomendado é a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE), usado para tratar obstruções nas vias biliares e pancreáticas. Conforme o familiar, o Hospital Nossa Senhora de Lourdes não realiza o exame, e a família tenta desde o dia 28 transferi-la para uma unidade que ofereça o procedimento.
Silas diz que o Hospital Júlia Kubitschek, unidade de referência em Belo Horizonte, também não teria condições de atender a paciente neste momento. Segundo ele, um dos equipamentos necessários estaria quebrado, e o médico responsável pelo outro estaria de férias.
FAMÍLIA RELATA DEMORA PARA TRANSFERÊNCIA
O irmão afirma que a família foi informada de que a transferência já havia sido solicitada. Porém, ao falar com a coordenação responsável pela regulação, soube que ainda faltavam etapas para encaminhar o pedido, como atualizar exames e o risco cirúrgico no sistema.
A família teme que a paciente tenha de esperar até terça-feira (3/11) para que o processo avance. De acordo com Silas, Leci não consegue se alimentar por causa da pancreatite, está fraca e precisa de morfina para controlar as dores.
Silas afirma que a situação precisa ser resolvida imediatamente, pois a irmã corre risco de perder a vida.
Ele relata que a irmã estaria ficando amarelada e que seu estado vinha piorando. Os familiares temem que a demora para realizar a CPRE cause novas complicações.
Silas também diz que foi difícil obter informações sobre o estado da irmã e identificar os responsáveis pela unidade. Conta ainda que, em um dos plantões, uma médica teria deixado o hospital sem prescrever medicação para a paciente, que continuava com dores.
Segundo Silas, o quadro da irmã se agravou e ela foi levada ao CTI. Ele afirma que o estado dela continua piorando, que houve alteração na saturação e descontrole da glicose, e que a família não recebe retorno da equipe.
NOTA DA FHEMIG
A Fhemig informa que cabe ao município regular os pacientes que precisam de procedimentos especializados, organizando e encaminhando os usuários aos prestadores habilitados da rede SUS, conforme os fluxos assistenciais estabelecidos. A Fundação presta serviços ao SUS, mas não é responsável pelo fluxo de encaminhamentos.
Segundo a Fhemig, o Hospital Júlia Kubistchek (HJK) conta com equipamento e profissionais habilitados para realizar a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE), procedimento de alta complexidade feito mediante indicação clínica e encaminhamento pela regulação. A fundação acrescenta que o HJK não é o único prestador apto a realizar o exame.
Outros serviços da rede assistencial também podem oferecer o procedimento. Cabe à regulação municipal direcionar os pacientes conforme a disponibilidade e os fluxos de acesso estabelecidos.
A reportagem procurou o Hospital Nossa Senhora de Lourdes pelos canais de comunicação com a imprensa e pela ouvidoria, mas não recebeu resposta. A Secretaria de Saúde de Nova Lima também não respondeu. O espaço segue aberto.
Tags: Belo Horizonte, Hospital, Minas Gerais







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