
Nutrição adequada ajuda pacientes com câncer a enfrentar o tratamento (Foto: Instagram)
Preservar a massa muscular e garantir o aporte calórico correto são medidas essenciais para que pacientes em tratamento contra o câncer tolerem as doses de quimioterapia e radioterapia sem interrupções. Em vez de exigir restrições extremas, a nutrição oncológica moderna adapta continuamente as refeições a cada fase do tratamento, ajudando a reduzir sintomas de toxicidade, complicações cirúrgicas e infecções.
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Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o estado nutricional do paciente influencia diretamente a resposta do organismo às terapias contra o câncer, por isso o suporte nutricional integra os cuidados médicos.
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A perda involuntária de massa muscular e peso, associada à inflamação causada pelo próprio tumor, caracteriza a caquexia oncológica. O quadro afeta a imunidade e reduz a resistência do organismo aos medicamentos. A desnutrição também pode atingir pessoas com sobrepeso ou obesidade, o que torna necessário o acompanhamento desde o diagnóstico inicial.
“Pacientes com baixa massa muscular toleram menos o tratamento de quimio e radioterapia, ficam mais tempo internados, complicam mais no pós-operatório, têm baixa qualidade de vida e maior risco de mortalidade”, alerta a nutricionista Thais Manfrinato, do A.C.Camargo Cancer Center.
ESTRATÉGIAS PRÁTICAS PARA AMENIZAR SINTOMAS
Durante a quimioterapia e a radioterapia, efeitos adversos como náuseas, feridas na boca e mudanças no paladar podem dificultar a alimentação. Para contornar o enjoo, recomenda-se dividir as refeições em pequenas porções ao longo do dia e optar por alimentos frios ou em temperatura ambiente, que liberam menos aroma.
Em caso de feridas na boca, chamadas de mucosite, a recomendação é ajustar a textura dos pratos, optando por consistências macias, pastosas ou líquidas e evitando alimentos ácidos, salgados ou picantes. Para reduzir o gosto metálico causado por alguns medicamentos, trocar talheres de metal por utensílios de plástico ou bambu e usar temperos com ervas naturais pode ajudar na aceitação dos pratos.
Se a ingestão de alimentos por via oral ficar abaixo de 75% das necessidades diárias por mais de duas semanas, pode ser preciso recorrer a suplementos hipercalóricos ou à nutrição enteral por sonda para garantir a segurança.
OS RISCOS DAS DIETAS RESTRITIVAS E MITOS FREQUENTES
Dietas milagrosas, jejuns prolongados ou a eliminação radical de carboidratos podem trazer riscos sérios durante o tratamento. A ideia de que o açúcar “alimenta” o tumor é um dos mitos mais comuns e prejudiciais na rotina dos pacientes.
Apesar de todas as células do corpo utilizarem glicose, retirar esse ingrediente da alimentação não faz o câncer regredir, já que o organismo converte proteínas e gorduras em energia para manter suas funções vitais.
“A adoção de jejuns prolongados ou dietas que excluem grupos alimentares pode agravar a perda de peso, acelerar a redução de massa muscular, aumentar a fadiga e efeitos colaterais”, explica a médica Liane Brescovici, chefe do departamento de nutrologia do ACCamargo Cancer Center.
Também é preciso ter cuidado com o uso de chás medicinais e suplementos naturais sem prescrição. Substâncias como a erva-de-são-joão e doses elevadas de vitaminas antioxidantes, como a C e E, podem interferir na metabolização dos remédios, diminuindo sua eficácia ou intensificando efeitos colaterais.
HIGIENE ALIMENTAR E CONVÍVIO FAMILIAR
Nas fases em que a quimioterapia reduz os neutrófilos — células de defesa do sangue —, a prioridade deve ser a higiene e a segurança dos alimentos, e não a exclusão desnecessária de grupos alimentares. Alimentos bem cozidos, frutas e vegetais higienizados com rigor e o manuseio adequado das refeições ajudam a evitar contaminações sem restringir o cardápio.
Ajustes simples no preparo, como desfiar carnes e acrescentar molhos, azeite ou purês para elevar o valor calórico sem aumentar o volume servido, ajudam a manter a alimentação agradável e a reduzir o esforço para comer.
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Tags: câncer, nutrição, Saúde







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