
Grahampearsonita: novo mineral fosfato identificado em diamante de Juína (a) imagem óptica; (b) microscopia eletrônica de varredura. (Foto: Instagram)
Pesquisadores brasileiros identificaram um mineral inédito na natureza, encontrado em um diamante na cidade de Juína, no Mato Grosso. Este novo mineral foi nomeado de grahampearsonita, em tributo ao cientista britânico Graham D. Pearson, famoso por suas pesquisas sobre diamantes e a estrutura interna da Terra.
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O mineral, um fosfato composto por cálcio, fósforo e oxigênio (Ca2P2O7), foi descoberto em uma região conhecida por abrigar diamantes de grandes profundidades, entre 400 km e 800 km abaixo da superfície terrestre.
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“Embora um material similar já tenha sido sintetizado em laboratório, é a primeira vez que o mineral é encontrado na natureza, seja na Terra ou em meteoritos. Os minerais presentes no diamante indicam condições de formação a profundidades de aproximadamente 450 a 750 quilômetros”, explica Tiago Jalowitzki, professor da Universidade de Brasília (UnB) e um dos líderes do estudo.
A pesquisa envolveu cientistas do Brasil, Itália, China e Alemanha. No Brasil, colaboraram a UnB, o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Os resultados foram publicados na revista American Mineralogist em 1º de junho.
Após a descoberta em Juína, as análises iniciais ocorreram no Instituto de Física da UnB, utilizando uma técnica que revelou a “impressão digital” dos minerais, onde foram identificados diferentes tipos de fosfato.
A amostra foi então enviada à Universidade de Padova, na Itália, onde técnicas adicionais confirmaram que o mineral não correspondia a nenhum outro conhecido. A grahampearsonita foi reconhecida como um novo mineral pela Associação Mineralógica Internacional.
Jalowitzki destaca que a descoberta do mineral no diamante contribui para o entendimento da composição da Terra e dos processos internos. “Diamantes superprofundos são cápsulas do tempo, preservando informações sobre condições a centenas de quilômetros de profundidade. Sua associação com outros fosfatos pode ajudar a compreender o armazenamento e reciclagem do fósforo entre a crosta e o manto terrestre”, afirma o pesquisador.







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